Alguns habitantes do Ourondo, localidade do concelho da Covilhã onde as eleições autárquicas foram boicotadas em setembro de 2013, voltaram hoje a manifestar-se contra a agregação da freguesia, mas não causaram distúrbios nem impediram o voto.

O protesto foi realizado ao final da missa, altura em que os populares se reuniram no principal largo da localidade já com bombos, bandeiras e vestindo camisolas nas quais se podia ler: «em luto e em luta contra o Ourondo».

Seguidos sempre de perto por elementos da GNR, que se encontram na localidade desde o início da manhã, os manifestantes percorreram depois a rua de acesso à secção de voto para as eleições europeias.

A caminhada foi animada ora pelo som dos bombos, ora por interpretações do «Hino do Ourondo» e da Grândola Vila Morena e os ânimos só se exaltaram quando os manifestantes viram um dos elementos da União de Freguesias de Casegas e Ourondo.

«Se tens vergonha vai-te embora. Não precisamos cá de ti. Nunca cá vens não é agora que és cá preciso», gritaram alguns populares que, não tendo resposta, acabaram por abandonar o local, sem contudo terem exercido o direito ao voto.

«Não impedimos ninguém de votar. Quem quiser votar que o faça. Esta é apenas mais uma jornada de luta para que quem decidiu perceba que fez mal em juntar as duas freguesias [Casegas e Ourondo] e que nós estamos a ser prejudicados», referiu Carlos Bicho, porta-voz do Movimento do Povo do Ourondo.

Em declarações à Lusa, Carlos Bicho garantiu ainda que o movimento realizará uma queixa contra o que considera ter sido a «constituição ilegal» da mesa de voto, que foi nomeada pela Câmara Municipal da Covilhã.

Depois de não ter sido indicado nenhum nome, o presidente do município, Vítor Pereira, optou por nomear os mesmos delegados das autárquicas. Todavia, dois deles mostraram-se indisponíveis, pelo que hoje pela manhã a mesa abriu com três elementos, tendo depois sido nomeado pelo presidente da união de freguesias um quarto elemento.

«Este processo está todo mal e vamos apresentar queixas porque houve aqui ilegalidades», disse Carlos Bicho.

Ainda assim, a mesa estava aberta e cerca das 13:00 já tinham votado 22 eleitores dos 450 inscritos.

No mesmo concelho, as eleições europeias foram boicotadas nas localidades de Orjais e Vales do Rio, em protesto contra o eventual encerramento da escola de ensino básico.

Nas duas localidades, o sufrágio deveria decorrer naquelas escolas, que foram fechadas a cadeado.

Em Orjais, a população não permitiu que ninguém se aproximasse do portão da escola, nem mesmo os elementos da GNR que compareceram no local, pelo que a mesa de voto, com 768 eleitores, não chegou a abrir.

Já em Vales do Rio, o cadeado foi cortado pela GNR, mas a mesa de voto, na qual estavam inscritos 726 eleitores, também não foi aberta porque os elementos da mesa consideraram que não estavam reunidas condições devido à presença de vários manifestantes que permaneceram à porta a fazer barulho com recurso a tachos e vuvuzelas.