A candidata ao Parlamento Europeu pelo Partido Operário de Unidade Socialista (POUS), Carmelinda Pereira, considerou que os votos nos partidos da oposição e a abstenção nas eleições de domingo constituem «uma clara derrota» do Governo PSD/CDS-PP.

«Se virmos os votos dos que não foram votar, mais os votos dos que terão ido votar e anularam o seu voto, será um valor muito superior a dois terços da população», analisou a candidata.

A isso ainda se tem que somar «os votos nos partidos que se declaram em oposição a este Governo», acrescentou, realçando que todos estes dados conjugados das eleições Europeias evidenciam «uma clara derrota da política do Governo, que é também a política da União Europeia».

Por volta da 01:00 de hoje, quando faltavam apurar quatro mandatos, o PS tinha eleito sete eurodeputados, a Aliança Portugal (PSD/CDS) seis, a CDU três, o MPT e o Bloco de Esquerda um cada e a abstenção cifrava-se em 66,09%.

Em declarações à agência Lusa, a candidata do POUS, partido que foi o menos votado ¿ obteve 0,11% dos votos -, os eleitores, quer os que se abstiveram, quer os que foram às urnas, expressaram «uma profunda aspiração a mudar a situação em Portugal».

E, defendeu, se o Governo PSD/CDS-PP «estivesse determinado a assumir a vontade do povo português, obviamente que se demitiria», em face deste resultado eleitoral.

Quanto à oposição, segundo Carmelinda Pereira, tem «uma responsabilidade enorme em ajudar a que o povo se levante de forma organizada e democrática» para alterar a atual situação do país.

«Empurrar para a frente é participar, infelizmente, num processo que acabará em explosões sociais», alertou a cabeça-de-lista do POUS, que considerou que a votação no seu partido esteve em linha com o que era esperado.

Quase 9,7 milhões de eleitores (9696 473 eleitores) estavam habilitados a votar, no domingo, na eleição dos 21 deputados para representar Portugal no Parlamento Europeu.

No global, este ato eleitoral serviu para eleger 751 eurodeputados pelos 28 Estados-membros da União Europeia, que representarão cerca de 500 milhões de cidadãos da UE nos próximos cinco anos.