O politólogo António Costa Pinto considerou esta segunda-feira que o resultado das eleições europeias representou uma punição aos partidos do Governo em Portugal e demonstrou um agravamento do afastamento dos europeus face às instituições comuns.

«O resultado das eleições agravou uma tendência para a diminuição dos partidos do Governo em Portugal. O Partido Social Democrata e o Partido Socialista baixaram para menos de 60% do eleitorado», afirmou, ressalvando que a elevada abstenção pode perverter o raciocínio.

«Mas não há dúvida nenhuma que os partidos de governação em Portugal sofreram aqui uma grande punição», sublinhou.

«Com a subida do PCP, com a diminuição do Bloco de Esquerda e sobretudo, com o eventual sucesso do fenómeno Marinho e Pinto, os dados estão lançados para que o Partido Socialista tenha uma vida bastante difícil enquanto alternativa eleitoral à coligação nos próximos meses, para não dizer nos próximos anos», acrescentou.

A elevada abstenção ¿ que em Portugal bateu um recorde e chegou aos 66% - demonstra, para o politólogo, um duplo fenómeno interessante.

«Por um lado, o já clássico afastamento entre os portugueses e as instituições europeias», avançou, lembrando que, «eventualmente, o aumento da abstenção pode estar ligado à emigração recente de cerca de 250 mil portugueses».

A segunda conclusão interessante dos resultados eleitorais, considerou António Costa Pinto, é «uma deceção em relação aos partidos políticos que dominaram a vida política nos últimos 40 anos».

Na Europa, as eleições mostraram que «as duas grandes famílias políticas europeias ¿ para não falar da terceira que é a família política liberal - têm cada vez mais dificuldade de controlo sobre a cena política europeia».

O politólogo acrescentou que, «em certos casos, a radicalidade, tomou proporções muito significativas no panorama político europeu» e o cenário ficou «mais diverso em termos de euroceticismo, populismo, soberanismo e outro tipo de movimentos políticos próximos destes modelos».

O PS é o partido com mais mandatos nas eleições europeias de domingo depois de apurados os resultados em todas as 3.092 freguesias de Portugal e em 54 dos 71 consulados, segundo dados da Direção Geral de Administração Interna (DGAI).

Os resultados indicam sete deputados (31,45%) para o PS, seis (27,71%) para a Aliança Portugal (PSD/CDS-PP), dois (12,68%) para a CDU (PCP-PEV), um (7,15%) para o Partido da Terra (MPT) e outro (4,56%) para a Bloco de Esquerda, faltando atribuir quatro dos 21 mandatos de Portugal no Parlamento Europeu, que dependem dos resultados no estrangeiro.