O cabeça de lista socialista nas europeias considerou, esta terça-feira, que Portugal vive «uma clausura ideológica neoliberal» com uma maioria de direita e um Presidente da República que alinha com o Governo no essencial.

De acordo com a Lusa, Francisco Assis falava num almoço comício em Aveiro, depois de intervenções da eurodeputada socialista Elisa Ferreira (número quatro da lista) e do líder da Federação de Aveiro do PS, Pedro Nuno Santos. No discurso, Francisco Assis acusou a Comissão Europeia de violar os tratados e de exercer «chantagem» em relação ao Estado Português.

«A primeira rutura democrática que temos de fazer é política. Precisamos de uma nova maioria na Europa, cujas principais instituições foram colonizadas por uma linha ultraliberal radical. A Comissão Europeia deixou de cumprir a missão que lhe estava atribuída pelos tratados e ainda na semana passada fez uma ameaça e uma chantagem inadmissível ao Estado Português», declarou, numa alusão às advertências de Bruxelas sobre a evolução da consolidação orçamental no país.

No plano nacional, Francisco Assis atribuiu à direita um completo domínio com uma maioria, um Governo e um Presidente da República, falando então em «clausura ideológica neoliberal».

«Vivemos um tempo de clausura ideológica marcada pela hegemonia da direita neoliberal em todos os lugares de decisão, seja a nível interno, seja a nível europeu. Em Portugal há uma maioria, um Governo de direita e um Presidente da República que nos momentos essenciais sempre esteve ao lado da direita», sustentou o «número um» da lista europeia do PS.

Em Bruxelas, de acordo com Assis, «esteve um presidente da Comissão Europeia [Durão Barroso] que seguiu essa agenda ideológica e acabou até por prejudicar institucionalmente a União Europeia».

«Vivemos uma clausura ideológica excessiva», salientou o ex-líder parlamentar do PS.

Neste contexto, Francisco Assis contrapôs a necessidade de «um novo consenso» em Portugal e na União Europeia, tendo em vista acabar com a atual «austeridade expansionista», uma filosofia política que considerou ser elementar no neoliberalismo.

O «sectarismo maximalista» do PCP e Bloco de Esquerda

Na parte final do discurso no almoço comício de Aveiro, Francisco Assis acusou o PCP e o Bloco de Esquerda de adotarem um «sectarismo maximalista», tornando-se ambos «aliados objetivos da direita» ao centrarem os ataques no PS. O cabeça de lista socialista defendeu a tese de que só o PS pode transformar o protesto contra o Governo numa solução alternativa política.

«É inadmissível este sectarismo maximalista que tem caraterizado as forças à nossa esquerda e que os leva a dedicarem muito mais energia a atacar o PS do que a atacar este nefasto Governo de direita em Portugal. Este sectarismo maximalista de uma certa esquerda, que pretende fazer crer que não há qualquer diferença entre o PS e a direita, constitui neste momento histórico um dos principais aliados objetivos da direita em Portugal», sustentou recebendo palmas.

De acordo com o ex-líder parlamentar do PS, «os partidos de extrema-esquerda, quando comparam o PS à direita, estão a insultar milhões de portugueses que todos os dias sentem na carne os efeitos das políticas deste Governo».

«É preciso dizer aos partidos da extrema-esquerda que, tal como o PS não pretende ser dono da esquerda, também não aceitamos que eles pretendam ser os donos. Aliás, a esquerda seria bem pequena se acabasse nas fronteiras do Bloco de Esquerda e do PCP. A grande esquerda de inspiração social-democrata, que transformou o mundo, essa grande esquerda é representada pelo PS», acrescentou.