A candidatura da Aliança Portugal percorreu hoje o centro de Espinho, ouvindo palavras de incentivo, apelos para que olhe para os pobres e a desilusão pela política de uma mulher para quem a abstenção é uma «traição».

«Admiro profundamente as mulheres que lutaram pelo direito ao voto, não votar seria quase uma traição a essas mulheres que lutaram», diz uma mulher sentada no café Aipal, contando ao cabeça de lista Paulo Rangel como está «muito desiludida».

O eurodeputado social-democrata detém-se a conversar: «Eu compreendo, muitos portugueses estão assim», refere, numa altura em que o primeiro candidato do CDS, Nuno Melo, deixou o interior do café para distribuir propaganda na esplanada.

A «desilusão» que é «mais do que muita» da professora que, afável, a confessa, leva Paulo Rangel a apelar à reflexão que conduza ao voto no dia 25 de maio.

«Vou votar, pela primeira vez não sei como», acaba por dizer a mulher.

As palavras finais da mulher são já abafadas pelo protesto de um homem que, encostado ao balcão, diz que «nem o Salazar roubou tantos direitos aos ferroviários» e que «o PSD e o CDS foram a pior coisinha que aconteceu desde o 25 de Abril», levando à intervenção de um apoiante que seguia a comitiva e que querendo fazer uma defesa da coligação em contraponto com o PS, diz que «o Soares entregou as colónias».

Nas ruas do centro de Espinho, muito pouco movimentadas neste meio da manhã, ouviram-se palavras de incentivo e apelos a que PSD e CDS «olhem para os mais pobres», numa ação de rua que contou com a presença do líder parlamentar social-democrata, Luís Montenegro, e do deputado do CDS-PP Raúl Almeida e do presidente da autarquia local, Pinto Moreira.

O presidente de Câmara do PSD, que cumpre o segundo mandato, pediu aos candidatos que façam em Bruxelas «uma defesa intransigente dos jaquinzinhos» e expliquem aos «nórdicos» que pescar aqueles peixes juvenis é «completamente sustentável».

Nuno Melo, que colocou a questão da barreira linguística de como explicar o que é um jaquinzinho no centro da Europa, distribuiu mais à frente calendários com os jogos de Portugal no Mundial de futebol do Brasil, contando com as qualidades do desporto rei para quebrar o gelo com transeuntes pouco motivados.

«A gente diz Mundial de Futebol e a coisa corre logo bem», comentava para a comitiva.