O secretário-geral do PS pediu hoje aos apoiantes socialistas para desvalorizarem as sondagens, alegando que até ao lavar dos cestos é vindima e que o próximo domingo é o momento de se acertar contas com o Governo.

António José Seguro falava no final de um almoço comício em Gaia, onde logo no início da sua intervenção procurou evitar triunfalismos pelo facto de os estudos de opinião colocarem o PS à frente nas eleições para o Parlamento Europeu.

«Ponham de lado as sondagens, porque até ao lavar dos cestos é vindima. Esta é a oportunidades para acertarmos contas com o Governo», declarou o líder socialista.

De acordo com o líder socialista, no próximo domingo, é o momento para se acertar contas com uma política do Governo «de engano e de empobrecimento» e uma possibilidade de ser «travada» a austeridade.

«Com o voto do PS conseguimos travar mais aumento de impostos que o Governo se prepara para fazer, com o voto no PS conseguimos travar os cortes definitivos nas pensões, nas reformas e nos salários. Com todo o respeito pelos outros partidos, como todas as sondagens demonstram, só o PS está em condições de derrotar o Governo», disse, reiterando então o seu apelo ao voto útil nos socialistas.

Aumento da dívida não pode deixar ninguém indiferente

O secretário-geral do PS considerou ainda que os dados do Banco de Portugal que apontam para um aumento da dívida pública no primeiro trimestre deste ano não podem deixar nenhum português indiferente face às eleições de domingo.

«Hoje o país ficou a conhecer mais um dado que infelizmente partilho convosco: a dívida voltou a aumentar no primeiro trimestre deste ano e já ultrapassa os 132 por cento. Entre dezembro e o final do primeiro trimestre deste ano, a dívida aumentou sete mil milhões de euros», apontou o líder socialista.

De acordo com o secretário-geral do PS, estes indicadores comprovam que a dívida pública em Portugal «não para de aumentar».

«No primeiro trimestre deste ano, a economia caiu e o desemprego é o maior da nossa história. Perante isto, algum português ou portuguesa pode ficar em casa indiferente? Alguma portuguesa ou português reformado que trabalhou uma vida inteira pode ficar indiferente a um Governo que disse que não cortaria nas pensões, mas depois cortou-as?», questionou Seguro.

Coincidência nada inocente entre direita e PCP

O secretário-geral do PS afirmou ainda haver uma «coincidência» entre a coligação PSD/CDS-PP e o PCP no ataque aos socialistas, num discurso em que criticou a «irresponsabilidade» comunista por pretender retirar Portugal do euro.

«A única alternativa responsável ao Governo é protagonizada pelo PS e, por isso, o PS é o alvo de todos os outros partidos nesta campanha. Já esperávamos que fosse assim do lado da direita e do Governo, mas estranhamos que também seja assim do lado do PCP», declarou o líder socialista.

Neste contexto, António José Seguro frisou que, ao contrário do PCP, o PS «não defende a saída de Portugal da zona euro, porque isso seria lançar o país num aventureirismo, numa irresponsabilidade e num empobrecimento total da sociedade portuguesa».

«Só pode prometer isso quem quer esconder dos portugueses as consequências negativas. A coincidência de ataque ao PS entre a direita e o PCP não é uma coincidência inocente», sustentou o secretário-geral do PS.

Na sua intervenção, entre outras críticas, o secretário-geral do PS falou na existência de uma desigualdade perante a justiça em Portugal, partindo do caso de um padeiro que foi condenado no espaço de um mês por alegadamente ter «retirado [a alguém ] 60 cêntimos».

«Mas há banqueiros que têm processos em justiça que prescreveram e que contrataram mais de 25 advogados. Não podemos aceitar ter uma justiça para poderosos e outra para cidadãos comuns», acrescentou.