O secretário-geral do PS insistiu hoje, de forma veemente, que o Governo divulgue imediatamente os compromissos assumidos com a troika e que constam numa carta escrita ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

António José Seguro falava no final de uma visita a uma fábrica de tecnologias de telecomunicações «Wavecom», em Cacia, concelho de Aveiro, integrada na campanha do PS para as eleições europeias.

O líder socialista referiu-se à notícia hoje publicada no jornal Correio da Manhã, segundo a qual o Governo terá assumido o compromisso com a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) de proceder à privatização da Caixa Geral de Depósitos até ao final de 2015, o que o levou a renovar a sua exigência: «Mostrem a carta», declarou.

Numa visita em que teve ao seu lado o cabeça de lista socialista às eleições europeias, Francisco Assis, e em que também estiveram presentes a eurodeputada Elisa Ferreira, o líder da Federação de Aveiro do PS, Pedro Nuno Santos, e os deputados socialistas Sérgio Sousa Pinto e Filipe Neto Brandão, o secretário-geral do PS fez no final um brinde com vinho Porto, que dedicou à saúde das empresas portuguesas.

Uma jornalista de televisão interrompeu o breve discurso de cortesia que Seguro se preparava para fazer, questionando-o sobre a presença do seu antecessor, José Sócrates, na campanha do PS, na próxima sexta-feira.

«O vinho do Porto está bom», comentou o líder socialista, desviando o assunto.

A seguir, António José Seguro falou com preocupação sobre a possibilidade de o Governo estar a comprometer-se externamente com a privatização Caixa Geral de Depósitos, perspetiva que a comissão de trabalhadores do banco do Estado diz estar incluída nos compromissos assumidos pelo executivo com a troika.

«Como os portugueses não têm nenhuma razão para acreditar na palavra deste Governo e deste primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho], mais uma vez lanço o desafio: Digam aos portugueses o que está escrito na carta que escreveram ao FMI. O Governo tem uma carta prevista ou escrita ao FMI e não a divulga», salientou o secretário-geral do PS.

Confrontado com a acusação da coligação PSD/CDS de que o PSD não fez as contas sobre os custos das suas promessas constantes no documento «Contrato de confiança», Seguro rejeitou essa crítica.

Segundo Seguro, o PS fez as contas e essas contas são «clarinhas».

A fábrica hoje visitada por Francisco Assis e Seguro, que jogou pingue-pongue com o «braço direito» com o dirigente Pedro Vaz (braço-direito de Pedro Nuno Santos na Federação de Aveiro) é da área das tecnologias de rádio, foi criada em 2000 com apenas sete trabalhadores, tendo agora 53, sendo que a maioria dos engenheiros completou a sua licenciatura na Universidade de Aveiro.

A «Wavecom» presta serviços a praticamente todas as empresas nacionais de referência do PSI 20, em países como Cabo Verde, Angola, Moçambique e Espanha, apostando agora no mercado europeu.

No sábado, na final da Liga dos Campeões de Futebol, entre Real Madrid e Atlético de Madrid, no Estádio da Luz, em Lisboa, a «Wavecom» terá a responsabilidade de fornecer "wifi" para seis mil pessoas, entre jornalistas e pessoal da UEFA.