Um membro do «Núcleo Antifascista do Porto» disse à Lusa que foi agredido no sábado por elementos do Partido Nacional Renovador (PNR), durante uma ação de campanha para as eleições europeias, tendo recebido assistência hospitalar.

Em declarações à Lusa no sábado, o presidente do PNR, José Pinto-Coelho afirmou que elementos do partido se envolveram em confrontos físicos com um homem que tentou «derrubar uma bandeira [do partido], agredindo e atirando ao chão» uma pessoa que integrava a comitiva, durante uma «pequena arruada» nas ruas do Porto com o cabeça-de-lista às europeias, Humberto Nunes Oliveira.

«Houve ali um pequeno desacato», disse o responsável partidário, referindo que dois elementos do PNR sofreram cortes nas mãos, tendo um deles sido assistido no local pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), enquanto «o agressor ficou ferido na cabeça».

Contactado pela Lusa, o membro do «Núcleo Antifascista do Porto» que esteve envolvido no incidente contrariou esta versão, afirmando ter sido agredido: «Eu é que fui a vítima», disse o homem, que pediu para não ser identificado.

O elemento do núcleo, que se autointitula como «antifa» (abreviatura de antifascista), relata que se aproximou da comitiva do PNR e pediu uma bandeira do partido. Perante a recusa, disse que iria buscar uma, altura em que lhe lançaram "spray pimenta" para a cara, atingindo os olhos.

«Não me pude defender nem ver quem me atacou. Eu só sei que não feri ninguém», afirmou o homem, que se deslocou ao hospital de Santo António, no Porto, onde os médicos identificaram «um hematoma na cabeça, com um pouco do escalpe arrancado», além de terem receitado uma pomada para acalmar a irritação nos olhos.

«Também atingiram, com o "spray", mulheres e crianças que ali se encontravam e que ficaram revoltadas. Pessoas de certa idade [que estavam no local] diziam que depois do 25 de Abril ainda existe fascismo», afirmou.

O mesmo elemento garante que «o núcleo do Porto não tem por intenção agredir ninguém».

Chamada ao local após as agressões, a PSP identificou o homem.

O líder do PNR disse à Lusa que irá apresentar uma queixa-crime contra o membro do núcleo antifascista, «porque viola um sem-número de coisas, desde logo a liberdade política de um partido fazer a sua propaganda».

Já o elemento do movimento antifascista diz que não apresentará queixa à polícia, alegando que o PNR «tem bons advogados».

Na semana passada, o núcleo convocou um evento através da rede social Facebook para «mostrar resistência» durante a iniciativa de campanha do PNR no Porto, o que motivou uma queixa do partido na PSP.

Contactada pela Lusa no sábado, fonte do comando da PSP do Porto confirmou esta ocorrência, sem adiantar pormenores.