Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia iniciaram hoje em Bruxelas um jantar informal para analisar os resultados das eleições, que deverão ser tidas em conta para a designação do próximo presidente da Comissão Europeia.

O encontro de líderes europeus, que conta com a participação do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, realiza-se horas depois de uma conferência de presidentes do Parlamento Europeu ¿ que reúne os líderes das bancadas parlamentares -, finda a qual a assembleia disse esperar que o Conselho dê um «mandato claro» a Jean-Claude Juncker, o candidato à presidência da Comissão pelo PPE, o partido mais votado, para iniciar negociações em busca de uma maioria.

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que presidirá ao jantar informal, já avisou que ainda é «muito cedo para decidir sobre nomes», e boa parte da discussão deverá centrar-se no fenómeno da subida da extrema-direita e de forças eurocéticas nas eleições europeias deste ano.

O Governo português está representado pelo primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que no domingo à noite, após serem conhecidos os resultados em Portugal assumiu a responsabilidade política pela derrota da coligação Aliança Portugal, mas relativizou-a, alegando não ter sido tão grande quanto foi prognosticado.

Nas eleições europeias, que terminaram no domingo à noite e cuja contagem dos votos ainda não está fechada oficialmente, o PPE, que integra o PSD e o CDS-PP, foi o mais votado, com mais 25 mandatos que o PSE, a que pertence o PS, que ficou em segundo lugar, de acordo com a projeção mais recente, divulgada hoje.

As duas maiores forças políticas da União Europeia perderam eurodeputados face às eleições de 2009 - o PPE elegeu 212, menos 61, e os socialistas 187, menos nove - e estão aparentemente obrigadas a um entendimento perante a ausência de uma maioria clara e o crescimento substancial dos partidos eurocéticos, nomeadamente de extrema-direita, em países como a França, a Dinamarca ou a Áustria.

A Aliança dos Liberais e Democratas para a Europa, apesar de também ter perdido mandatos, mantém-se como terceira força, com 72 eurodeputados (menos 11), seguida pelos Verdes, com 55 (perdeu dois mandatos).

Estes quatro grupos reúnem 526 dos 751 assentos parlamentares europeus, contra os 612 que possuíam na legislatura que agora termina.

Segundo o acordo estabelecido antes das eleições, cabe ao partido mais votado, o PPE, começar a ronda de negociações para a presidência da Comissão Europeia, mas a distribuição de todos os altos cargos europeus levará necessariamente a um processo complexo, já que, em relação a 2009, a vantagem dos populares em relação aos socialistas é bastante mais curta.