O cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP, Paulo Rangel, travou hoje conhecimento com novos frutos, numa visita à feira de Amares, mas acabou por levar um avio de laranjas num saco com a cor do CDS-PP.

«Um "laranja" com laranjas num saco azul, que é por causa da coligação, não queremos mandar sinais errados», ironizou Paulo Rangel, numa altura em que o centrista Nuno Melo convivia num café próximo.

Um dia depois de ter apontado a António Guterres o «pecado original» do despesismo socialista e a José Sócrates o «pecado capital» desse «padrão de comportamento», Rangel esteve com o centrista Nuno Melo na feira franca de Amares onde pela primeira vez ouviu falar de um fruto chamado tamarindo, mas acabou por levar laranjas.

A feira estava pouco concorrida, a música popular ressoava pela praça central que aquecia ao sol do quase meio-dia, Rangel e Melo distribuíram panfletos e canetas, e o primeiro candidato da Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) teve tempo para fazer descobertas frutícolas.

«Se calhar lá por Lisboa não há disso», dizia uma senhora ao lado da vendedora de tamarindos e outros produtos que explicou a Paulo Rangel que aquele fruto é comido à colher e é uma espécie de mistura de tomate com maracujá.

Apesar de ser governada pelo PS, Amares é conhecida pela laranja, e Rangel abeirou-se de uma banca de laranjas mas aquelas destinavam-se a concurso.

No final, trouxeram-lhe as desejadas laranjas, pedindo-lhe que prometesse «defender a laranja de Amares no Parlamento Europeu com unhas e dentes».

Rangel dispõe-se a tentar diálogo sobre educação especial

Mas a candidatura da coligação deparou-se hoje, em Fafe, com um protesto contra a situação da educação especial e, em conversa com manifestantes, Paulo Rangel dispôs-se a tentar promover o diálogo sobre este assunto.

«Nós, como temos realmente alguns canais de comunicação, vamos usá-los para transmitir a vossa preocupação, sem dúvida, aliás, por isso é que quisemos vir aqui conversar», declarou o cabeça de lista da coligação Aliança Portugal, com o candidato centrista Nuno Melo ao seu lado, depois de receber queixas de técnicos deste setor de que o Governo não os ouve. «Nós a ver se fazemos aqui alguns bons ofícios no sentido de haver diálogo», reforçou o social-democrata.

Paulo Rangel, assim como Nuno Melo, referiu que desconhecia a atual situação do apoio a alunos com necessidades educativas especiais e considerou que «foi muito útil esta conversa» realizada à beira de uma estrada, num cruzamento para uma quinta onde a coligação PSD/CDS-PP tem hoje um almoço de campanha.

«Se as pessoas conversarem, talvez se possa chegar a um entendimento. Nós vamos usar os nossos bons ofícios para chamar à atenção para este problema. Acho que é um problema sensível, ao qual temos de estar atentos. Depois logo se verá como é que as coisas se encaminham», acrescentou Paulo Rangel.

Os manifestantes que esperavam a caravana da Aliança Portugal, adultos e crianças, seguravam faixas e cartazes contra o Governo com frases como «Gritamos contra a hipocrisia de políticas mentirosas. Rua! Basta!». Inicialmente, houve vaias aos candidatos, que cessaram quando estes se aproximaram.

Uma nova fase

Paulo Rangel considerouainda que Portugal vai entrar numa «nova fase» e defendeu que a coligação PSD/CDS-PP tem a sensibilidade social como marca, ao contrário do PS.

«Há uns que salvaram o país da bancarrota e, com isso, estão a salvar o Estado social, e há outros que puseram o país na bancarrota e que nem sequer festejam a saída da troika e, esses sim, puseram em causa o Estado social e revelam uma profunda insensibilidade social», declarou o eurodeputado social-democrata.