O número um do PS às europeias, Francisco Assis, criticou este domingo a Comissão Europeia pela «chantagem» com que trata o Estado português sobre um eventual segundo resgate no caso de não cumprimento das metas do défice.

«É inadmissível que a Comissão Europeia, ainda presidida pelo Dr. Durão Barroso, trate o Estado português como tratou há dois dias [sexta-feira]. É inadmissível que a Comissão Europeia nos faça ameaças e se relacione connosco sob a forma de chantagem. E isso merece uma resposta», disse Assis num comício na Praça Dom João I, no Porto.

Na sexta-feira o jornal Diário de Notícias citava fonte oficial do executivo comunitário que deixava no ar a hipótese de um segundo resgate a Portugal, caso o país não cumpra o défice de 2,5% em 2015.

«Se o Governo relaxar, por vontade própria, o ritmo de ajustamento orçamental, os mercados vão castigar Portugal, e, com taxas de juro mais altas será difícil escapar a um segundo resgate», escrevia o DN.

Para Assis, «não é por acaso» que Bruxelas atua desta forma para com Portugal, sendo este comportamento reflexo do Governo do país.

«A Comissão Europeia trata desta forma o Estado português porque infelizmente nos últimos três anos habitou-se a trabalhar com um Governo que não se soube dar ao respeito e que não foi capaz de garantir a dignidade da participação de Portugal no projeto europeu», considerou o socialista.

Para o candidato do PS é essencial que as pessoas votem «massivamente» nos socialistas no domingo para que o PS «ganhe as eleições em Portugal e assim dê um forte contributo» para a maioria política no Parlamento Europeu dos socialistas e sociais-democratas europeus.

Elogiando setores «da esquerda e da direita» que se identificam com o PS nesta candidatura ao Parlamento Europeu, Francisco Assis voltou a deixar críticas a Paulo Rangel, dizendo que «a direita desistiu de pensar e argumentar».

«O Dr. Paulo Rangel limita-se a repetir um slogan completamente irreal e falso, insinuando que foi um suposto despesismo socialista que levou Portugal à crise», reforçou Assis.

«Este tempo, a partir de agora, deve deixar de ser o tempo de protesto e tem de passar a ser o tempo do projeto», declarou ainda, reclamando um «desenvolvimento» nacional e europeu que estabeleça a economia e o emprego como prioridades maiores.