O ministro Poiares Maduro defendeu hoje, em Coimbra, que os resultados das eleições europeias não devem suscitar «leituras nacionais», mas mesmo que estas sejam feitas, não põem em causa a legitimidade do Governo.

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«Não devem ser feitas leituras nacionais das eleições europeias, mas mesmo que se pretenda fazer isso, o resultado de ontem [domingo] claramente não coloca em causa a legitimidade deste Governo para continuar a governar e cumprir a legislatura até ao fim», afirmou o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional.

Poiares Maduro falava aos jornalistas, hoje à tarde, em Coimbra, à margem da sessão de tomada de posse da presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Ana Abrunhosa, na qual também participaram os secretários de Estado do Desenvolvimento Regional e do Ambiente, Castro Almeida e Paulo Lemos, respetivamente.

«Após três anos de um período duro» de ajustamento económico e financeiro «é natural que o povo português esteja magoado» e «tenha até menos interesse nas eleições, como a abstenção elevada exprimiu», reconheceu o governante.

Mas «isso faz com que ainda seja mais importante, do ponto de vista do Governo, tornar mais claro que este esforço [de três anos] tem um sentido», que «não é um fim em si mesmo, mas um meio para oferecer melhores condições de vida aos portugueses, mais emprego, mais justiça social», sustentou Poiares Maduro.

Como disse no domingo o primeiro-ministro, «concluímos uma primeira fase de um programa de ajustamento» e «temos agora de iniciar uma segunda fase em que concretizamos a esperança que o sucesso que tivemos, em matéria de transformação económica e em matéria de reequilíbrio financeiro», se traduza na «melhoria das condições de vida» para os portugueses, sublinhou.

Sobre os elevados índices de abstenção nas eleições europeias, o ministro disse que o fenómeno ¿ que é comum a «quase todos os Estados da União Europeia»¿ deve «preocupar todos os agentes que contribuem e fazem o nosso espaço de debate público».

Todos aqueles agentes, incluindo «também os jornalistas», devem «refletir sobre como podemos contribuir para um discurso e um debate públicos mais sobre questões de fundo e menos sobre questões incidentais, sobre questões de mera tática política, como frequentemente acontece», sustentou.

As elevadas taxas de «abstenção, de votos brancos e nulos» são um apelo a «um debate mais sério, mais político» e «menos de telenovela», defendeu Poiares Maduro, concluindo que estas europeias «constituem um desafio para todos os atores políticos, mas também para os próprios jornalistas, os próprios meios de comunicação social, no sentido de contribuírem para um debate público mais informado e mais produtivo».