O candidato europeu da CDU distribuiu hoje panfletos, inteirou-se da possível privatização da Linha de Sintra e defendeu a produção nacional no setor ferroviário, recebendo sorrisos e simpatia em troca, à exceção de umas queixas sobre a «cassete».

«Espero que todos aqueles que utilizam a estação de Massamá, como todos os que utilizam a Linha de Sintra, que têm muitas e boas razões para estar descontentes com a situação a que o país chegou, percebem que não sairemos dela com aqueles que nos trouxeram a ela», disse João Ferreira, que viajou no comboio das 8:25, entre a Portela de Sintra e Queluz, quando questionado sobre a proximidade da casa do primeiro-ministro Passos Coelho, em Massamá.

Um dos escassos passageiros que não quis receber a propaganda da força que junta comunistas e «Verdes», reclamou entredentes que «é sempre a mesma cassete, que impressão...».

«Epá, é uma lengalenga, vai repetindo. Eu gostava de saber de onde vem esta colagem à sigla dos democratas-cristãos alemães. Até as cores são azuis. Não tem nada a ver. Deve ser para esconderem a foice e o martelo. Curiosamente, esta coligação, que tem os ambientalistas, é a mais despesista em cartazes. É só cartazes», disse à Lusa o advogado Francisco Tomás, de 32 anos, «apartidário, mas a votar sempre».

O eurodeputado e recandidato continuou o contacto com os passageiros, afiançando que «é preciso dar a volta a isto» porque «não podem ser sempre os mesmos» no poder.

«É importante que as pessoas percebam que há uma ligação com aquilo que sentem no dia a dia e aquilo que foram decisões tomadas no Parlamento Europeu - estes pacotes ferroviários -, que, é bom dizê-lo, foram aprovados por PS, PSD e CDS», afirmou, recebendo as queixas da sobrelotação das carruagens nas horas de ponta.

O deputado comunista e vice-presidente da Assembleia da República António Filipe juntou-se ao cabeça de lista, no Cacém, para apelar ao voto «que é diferente» e combater a abstenção.

«Há um enorme descontentamento das pessoas relativamente à política que tem sido seguida nos últimos anos. Seguramente, algumas destas pessoas votaram nos partidos que conduziram o país a esta situação e sentiram que o seu voto foi traído e manifestam grande descontentamento com a atividade política», interpretou o parlamentar do PCP.

Derrotar partidos da troika

Já o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje, na Moita, que o objetivo da CDU é derrotar os partidos da troika nas eleições europeias, referindo que acredita num reforço dos votos na coligação.

«O objetivo é derrotar os partidos que sustentam o Governo, mas também enfraquecer aqueles que constituem a troika e que infernizaram a vida dos portugueses, onde está o PS. Quando fazemos o apelo ao voto de muitos eleitores socialistas desiludidos com estes comprometimentos do PS, dizemos que o voto útil é na CDU, que combateu e vai continuar o combate», disse.

Jerónimo de Sousa esteve hoje presente numa arruada na Baixa da Banheira, na Moita, que juntou centenas de apoiantes, tendo referido que acredita num reforço da votação na coligação nas eleições do próximo domingo.

«Temos como objetivo reforçar as posições da CDU em votos e mandatos. A questão do terceiro deputado foi por algumas centenas de votos que não aconteceu [nas últimas eleições europeias] e ao assumir esse objetivo estamos a tentar que quanto mais deputados tenha a CDU, menos tem a troika», salientou.