Os candidatos da coligação PSD/CDS-PP Paulo Rangel e Nuno Melo ouviram hoje numa feira em Podence críticas e queixas, mesmo dos seus votantes, com a indiferença a dominar a atitude de quem ainda assim quer sempre uma caneta.

«Uma caneta é sempre útil», dizia Paulo Rangel distribuindo as canetas brancas e azuis da coligação Aliança Portugal logo no início da feira, que começou a percorrer pelas 09:45, na zona dominada pela venda de galinhas e patos vivos.

Quando o cabeça de lista ainda não tinha estendido a esferográfica já havia quem lha pedisse, num interesse que muitos não demonstravam pela visita dos candidatos às eleições europeias ou tao somente pelo ato eleitoral.

«Querem ir para algum lado e é política de certeza», especulava uma mulher com um jornal de campanha na mão.

Mas também havia quem quisesse ser ouvido: «A ver se defende aqui o nordeste [transmontano]. É o tribunal, as finanças, as valências do tribunal. Aqui estamos muito abandonados», desfiou um homem para Paulo Rangel.

«Acha?», questionou o cabeça de lista, acrescentando que visita frequentemente a região e não partilha dessa perceção.

«Os nossos filhos têm que sair daqui, não têm trabalho, têm que ir para o litoral. Fizemos casas, estão todas vazias, ou uma grande porção delas. É mau», lamentou-se, sempre numa voz pausada.

Paulo Rangel respondeu com os «fundos comunitários para investir», 3500 milhões de euros «só para o Norte».

O homem acabou por revelar, sem entusiasmo: «Eu vou fazer a cruz, tenho feito sempre».

«Para o ano, a ver se nos tiram mais do que têm tirado, digam lá isso ao Coelho», gritou com ironia um vendedor.

De voz baixa, uma idosa recebeu a caneta de Paulo Rangel e largou: «Estou muito triste, cada vez me tiram mais».

À medida que a comitiva prosseguia, Nuno Melo recolhia os frutos de ter por lá passado «há quatro ou cinco anos» com Paulo Portas e ter levado «uma porção de queijos» a um entusiasmado apoiante vendedor, e era cada vez mais audível o leilão de «48 meias por cinco euros».

Melo subiu de caneta em punho à carrinha de onde o homem tentava vender os lotes de meias, mas o assunto já tinha sido tratado: «Já tenho, já tenho. Saúde e boa sorte».

De Podence, a comitiva da coligação seguiu para Bragança, onde visitou a misericórdia.