O coordenador do BE João Semedo acusou o PS de Seguro de não querer ser empurrado para a esquerda, recordando que aquando da demissão de Vítor Gaspar e Paulo Portas os socialistas deram «a mão à direita».

Num comício em Aveiro da campanha para as europeias, João Semedo voltou a escolher como alvo o PS de António José Seguro, e até usou a rábula do «bom escuteiro» que insistia em ajudar uma velinha a atravessar a rua, quando esta não o queria, para falar de uma velha «ilusão» socialista.

«Temos ouvido algumas opiniões que nos dizem que a esquerda deve votar no PS para empurrar o PS para a esquerda. Mas será que o PS de Seguro quer ser empurrado para a esquerda? Essa é que a pergunta. Não querem e não é de hoje», disse João Semedo.

Segundo o coordenador do BE «não é de agora esta ilusão», recordando que António Guterres e José Sócrates também não quiseram ser empurrados para a esquerda.

Semedo puxou atrás a fita dos acontecimentos e regressou ao verão quente do ano passado, durante o qual se demitiu Vítor Gaspar e Paulo Portas.

«Nesse momento, o PS podia ter-se virado para a esquerda. E o que fez? Deu a mão à direita. Passou quase um ano e vimos bem o que o povo sofreu por causa dessa mãozinha que o PS estendeu à direita», condenou.

O líder bloquista alerta para preço caro que se pode pagar por esta ilusão de empurrar o PS para a esquerda, recordando que «não é só em Portugal que os socialistas não querem nada com a esquerda», já que acontece o mesmo na Grécia, Alemanha e França.

«Este PS não quer governar com a esquerda, não quer olhar para a esquerda, não quer ser empurrado para a esquerda. Mas quer enganar a esquerda! O preço da nossa ilusão será pago com uma profunda desilusão», avisou.

Por isso, Semedo garante que «o melhor voto» para derrotar a austeridade, a direita, o Governo e construir uma alternativa de esquerda, é no Bloco.

Por sua vez a candidata do BE às europeias, Marisa Matias, virou o discurso para o opositor da Aliança Portugal, Paulo Rangel, considerando que a direita não é a vacina mas sim o vírus do despesismo.

Marisa Matias afirmou que há reações que merecem uma reposta, falando da declaração de Paulo Rangel, que se referiu à coligação da direita como «a vacina contra o despesismo».

«Despesismo é deitar para o lixo 18 mil milhões que eram nossos. (...) A direita não é vacina, a direita é mesmo o vírus do despesismo, do empobrecimento. Não é vacina, é vírus», respondeu.

Pedindo à direita que repita de novo esta ideia, a cabeça de lista bloquista foi mais longe: «vacina contra o despesismo da coligação dos submarinos que não tem vergonha e põe à frente da comissão de inquérito o ex-líder parlamentar de Paulo Portas».

A cura do Bloco há muito que é conhecida e passa pelo «contrário da austeridade», pela reestruturação da dívida e rejeição do tratado orçamental.