O cabeça de lista do PS às europeias, Francisco Assis, reclamou hoje, à entrada para a última semana de campanha, uma discussão política com «substância» e não «entre vírus e bactérias», referindo-se a declarações de Paulo Rangel.

«Não vamos transformar isto numa discussão entre vírus e bactérias, como é evidente. Esse tipo de discussão é do mais inútil que pode haver. O Dr. Paulo Rangel tem vindo a construir uma teoria muito falaciosa acerca do estado do país, do que se passou no país, mas acho que já ninguém está disposto a ouvi-lo», declarou Assis aos jornalistas durante uma visita à lota da Figueira da Foz.

O candidato ao Parlamento Europeu falava depois de o cabeça de lista do PSD/CDS-PP, Paulo Rangel, ter pedido o voto na coligação de direita «contra o vírus socialista».

«Cada voto na Aliança Portugal [coligação PSD/CDS-PP] é uma vacina contra o despesismo, contra a irresponsabilidade financeira, contra o vírus socialista», afirmou Paulo Rangel numa ação de campanha em Barcelos, no domingo.

No arranque da segunda e última semana de campanha para as eleições do próximo domingo, Francisco Assis insistiu na necessidade de serem discutidas as opções políticas e as diferenças entre as candidaturas do PS e do PSD/CDS-PP.

«Era bom que nesta última semana de campanha eleitoral o Dr. Paulo Rangel passasse a dizer alguma coisa com alguma substância sobre o país e a Europa», sublinhou o candidato socialista.

Governo trouxe o país para o passado

Mas o «número um» do PS às europeias também acusou o Governo de trazer Portugal «para o passado» com diversos retrocessos na economia, no Estado social e no rendimento das pessoas.

«Quando vejo o Dr. Paulo Rangel, os candidatos da direita, o primeiro-ministro, dizer que o grande objetivo deles é impedir que Portugal regresse ao passado, então nós temos de dizer uma coisa muito simples: quem levou de novo Portugal para o passado foi este Governo e esta maioria», declarou Assis num almoço-comício em Soure, no distrito de Coimbra.

Falando perante centenas de militantes e apoiantes do PS, o candidato ao Parlamento Europeu declarou que com este Governo a economia «regrediu muitos anos», tal como os rendimentos das pessoas e «a qualidade dos serviços prestados pelo Estado».

«No domingo estou cada vez mais convencido que nós vamos ganhar claramente as eleições europeias», acrescentou Assis, enaltecendo o que diz ser uma «onda de adesão» ao PS nas ruas de Portugal.

«Nós vamos ganhar no domingo. Mas a tarefa não se esgota aí», reforçou, acrescentando que o PS está preparado para governar com «seriedade, exigência e rigor».

O candidato ao hemiciclo europeu reclamou mudanças também no espaço europeu, apelando a uma «verdadeira governação económica europeia».

«Estamos disponíveis para assumir compromissos claros em matéria de políticas orçamentais mas queremos que esses compromissos se estendam em matéria de políticas de investimentos, de políticas de apoio ao desenvolvimento, de políticas de incentivo ao crescimento económico», advogou.

Antes da intervenção do candidato socialista, o presidente da Câmara de Soure, Mário Jorge Nunes, declarou que a Europa social «precisa muito do contributo» do PS nas eleições de domingo.

«Precisamos de acreditar numa nova Europa, num novo país, num novo rumo para Portugal», advogou.

Também o presidente da concelhia socialista de Soure, João Gouveia, apelou ao voto no PS e enalteceu a escolha de Assis para cabeça de lista do partido, uma «escolha de mérito de um candidato de mérito indiscutível».

O dirigente socialista abordou também na sua intervenção algumas preocupações referentes ao concelho.