O cabeça de lista socialista às europeias afirmou hoje que os três anos de Governo PSD/CDS serão avaliados nas próximas eleições, numa intervenção em que acusou Paulo Rangel de «mentir» sobre o passado para esquecer o presente.

Francisco Assis falava no final de um almoço com apoiantes em Bragança, tendo ao seu lado o ex-ministro da Presidência Pedro Silva Pereira, num discurso em que argumentou contra a ideia de que os socialistas são despesistas e em que defendeu a tese de que os governos PS têm um histórico (com Mário Soares e José Sócrates) de medidas para o equilíbrio das finanças públicas.

«Por muito que este Governo e por muito que os candidatos da direita [PSD/CDS] queiram fugir a um balanço destes últimos três anos, vão ter mesmo que responder perante o país por aquilo que fizeram», disse.

Francisco Assis criticou depois, neste contexto, o discurso político que tem sido feito pelo cabeça de lista da Aliança Portugal (PSD/CDS), Paulo Rangel, dizendo que o social-democrata «gosta muito de falar do passado para esquecer o presente».

«É mais fácil enganar as pessoas a respeito do passado do que enganá-las a respeito do presente. Paulo Rangel fala do passado com mentiras, desde logo propagando a ideia de que foi o Governo do PS o responsável pela entrada da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia», apontou Assis.

Segundo a versão do cabeça de lista europeu do PS, foi a crise política da primavera de 2011, aberta pelo PSD e CDS, que provocou a entrada da troika em Portugal.

Para o efeito, Assis aludiu a uma alegada conversa telefónica entre o porta-voz do PSD, Marco António Costa, e o atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em março de 2011.

«É bom lembrar aquela célebre conversa, que foi decisiva, em que o dr. Marco António telefonou ao dr. Passos Coelho a dizer-lhe: Meu caro Pedro, ou derrubas o Governo [de Sócrates], ou derrubamos-te a ti da liderança do PSD», referiu o ex-líder parlamentar do PS.

Tal como antes fizera Pedro Silva Pereira, também Francisco Assis acusou a maioria PSD/CDS de não ter cumprido as suas promessas eleitorais e de se preparar «agora para fazer uma campanha pirotécnica primária, anunciando medidas para tentar enganar de novo os eleitores».