O cabeça de lista do PS às europeias afirmou que a direita sabe que está a caminho de uma derrota que pode ser «histórica», criticando também Cavaco Silva por ter convivido «pacificamente» com «doses cavalares» de austeridade.

«Eles [PSD/CDS-PP] estão com medo. Eles estão com medo não é do PS, eles estão com medo dos portugueses. Estão com medo do voto dos portugueses. Sabem muito bem o que os portugueses pensam deles. E sabem muito bem que estão a caminho de uma derrota que pode ser uma derrota histórica», disse Francisco Assis esta terça-feira, num comício em Santa Maria de Lamas, distrito de Aveiro.

Na sua intervenção de mais de 30 minutos num auditório da freguesia de Santa Maria da Feira, Assis foi também crítico para com o Presidente da República e o seu papel nos últimos três anos, com o executivo liderado por Pedro Passos Coelho no poder.

«O mesmo Presidente da República que se indignava, há não muito tempo, com uma austeridade que, perante esta, era uma austeridade minúscula, que os governos socialistas se viram obrigados a aplicar, foi o mesmo Presidente da República que conviveu pacificamente com as doses cavalares de austeridade que este Governo impôs ao país», alertou o candidato socialista ao Parlamento Europeu.

«Contaram não apenas com a colaboração institucional respeitável mas com a colaboração ativa da Presidência da República», acrescentou ainda.

A direita «teve todas as condições» para exercer o poder nos últimos anos: «Tinham maioria no parlamento. Tinham na presidência da Comissão Europeia um homem que se demitiu de defender a instituição que representava porque preferiu seguir as orientações ideológicas de quem de facto mandava na direita europeia», sustentou.

«Raramente no nosso país se assistiu a uma tão ampla concentração de poder como aquela que caracterizou os últimos três anos. Temos de romper este cerco», frisou Assis.

Por sua vez, a presidente do PS, Maria de Belém, disse que os socialista só são «atacados» pela direita quando incomodam, reclamando uma vitória do PS nas europeias de domingo porque tal é necessário para a «felicidade» dos portugueses.

«Nós sabemos que bem que só somos atacados quando incomodamos. Se nós não incomodássemos nada como é evidente, [PSD e CDS-PP] olhavam para nós com muita indiferença», disse Maria de Belém esta noite.

PSD e CDS-PP, disse Maria de Belém, «não têm nada para oferecer» aos portugueses até porque «ninguém acredita no que possam eles dizer», reclamando a presidente do PS que o seu partido tem propostas concretas, «capacidade argumentativa, cultura para as justificar e capacidade para as defender no âmbito da União Europeia».

«Tenho a certeza que vamos ter uma vitória nas próximas eleições porque as merecemos e porque ela é necessária para a felicidade e para a saúde do povo português», acrescentou ainda a dirigente socialista.

No final do comício, o secretário-geral do PS, António José Seguro, prometeu «sob palavra de honra» devolver o valor das reformas cortadas aos pensionistas.

«Fizemos as contas e quero mais uma vez garantir-vos sob palavra de honra que, uma vez chegados ao Governo, voltaremos a dar aquilo que é um direito dos pensionistas e dos reformados e devolveremos as reformas, acabaremos com a TSU (taxa social única) dos pensionistas», declarou.

Seguro atacou, ainda, o candidato do PPE à presidência da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, que diz ter escrito na sua conta de Twitter que as pessoas têm tanto valor quanto as mercadorias e o capital.

«Na conta oficial do Twitter, o candidato apoiado por Paulo Portas e Pedro Passos Coelho escreveu que as pessoas são tão importantes quanto as mercadorias e os capitais. Além de uma veemente reprovação, isto expressa bem aquilo que é a política e a maneira como Passos Coelho e Paulo Portas tratam e trataram o povo português», afirmou o líder socialista.

Seguro acrescentou que o povo português «não aceita ser tratado dessa forma».