A cabeça de lista do BE, Marisa Matias, exigiu hoje que as grandes fortunas sejam «verdadeiramente» taxadas uma vez que a austeridade «chega à maioria mas não chega a quem tem mais», pedindo ao Governo justiça social.

«Hoje, a notícia que nós tivemos conhecimento, de avaliação dos três anos de troika é muito elucidativa. As dez famílias mais ricas de Portugal viram a sua fortuna aumentar em 20%, ao passo que há mais 400 mil pessoas que agora estão pobres e que antes não estavam», disse aos jornalistas Marisa Matias, em Faro, no final da primeira ação de campanha do dia.

Segundo a eurodeputada recandidata, «a austeridade chega a uns, mas não chega a todos" já que "chega à maioria mas não chega a quem tem mais».

«Precisamos verdadeiramente de taxar as grandes fortunas, que é coisa que ainda não foi feita. Um Governo que sabe tanto de impostos e que resolve obedecer tanto em matéria de impostos, já agora talvez um bocadinho de justiça social não ficasse aqui mal», atirou.

Marisa Matias é perentória: «A austeridade quando nasce não é para todos».

Questionada sobre a manchete de hoje do Diário de Notícias - que dá nota de «ameaça» de Bruxelas a Portugal sobre um possível novo resgate caso meta do défice falhe - a eurodeputada bloquista reiterou que «a troika não vai embora».

«É o que acontece de cada vez que o Governo decide que tem que obedecer de forma permanente e continuada, é que depois está sujeito às variações de humores das instituições», criticou.

Para Marisa Matias a prova de que não há qualquer consolidação das contas públicas «é que uns dias diz-se umas coisas, nos outros dias diz-se outra».

«Seja com um segundo resgate, seja com um programa cautelar, seja com a chamada saída limpa, nós vamos continuar a ter condicionalidades enormes relativamente aquilo que são as possibilidades em termos de política de investimento, criação de emprego, ou seja, não existe», sublinhou.

A eurodeputada recandidata do BE reiterou a necessidade de uma «política que seja o contrário da austeridade» porque, caso contrário, Portugal continuará sujeito «a uma situação que nos coloca na recessão e que agrava as desigualdades em Portugal».