A fragmentação financeira e as crescentes assimetrias e desigualdades no espaço europeu comum estão a pôr em risco o projeto único e a duplicar as cargas exigidas às famílias e empresas dos países do sul, disse esta sexta-feira Passos Coelho.

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, falava em Madrid no segundo e último dia de uma conferência organizada pelo Berggruen Institute on Governance (BIG) e em que estão em debate europeus.

«As assimetrias e desigualdades entre países têm aumentado nos últimos anos, especialmente na zona do euro. E não haverá uma união harmoniosa se o centro da Europa continuar a crescer, ao mesmo tempo que a periferia estagna ou mesmo definha», declarou Pedro Passos Coelho.

Na opinião do chefe de Governo português, «o que ameaça a Europa não é a força económica de alguns [países], em comparação com a fraqueza económica dos outros», mas sim «a ausência de uma expectativa razoável e credível de que o mais fraco vai ficar mais forte, sustentavelmente mais forte».

Para Passos Coelho, a fragmentação financeira, sofrida especialmente no sul, foi uma das piores consequências da crise, «comprometendo uma das grandes conquistas da Europa, o mercado único», porque criou «discriminação implícita com base na geografia».

«Diferenças acentuadas no acesso ao crédito e no custo do crédito, colocam as empresas em desvantagem competitiva com os seus homólogos europeus só porque estão do lado errado da fronteira», disse, considerando essa separação «inaceitável».

«Os efeitos da fragmentação financeira duplicaram a carga de famílias e empresas, que já foram chamados a fazer grandes sacrifícios. Vieram ao resgate das nossas finanças públicas, pagando mais impostos e recebendo menos benefícios. Não podem ser obrigados a pagar um preço ainda maior devido às distorções criadas pela falta de um quadro institucional europeu adequado», considerou.

A par de combater essa fragmentação, disse, deve consolidar-se uma «maior solidariedade» entre os Estados-membros, princípio essencial para o mercado único, «a pedra angular da unidade» europeia.

O aumento da desigualdade europeia deve-se, segundo Passos Coelho, tanto «à irresponsabilidade a nível nacional» como ao facto da Europa, «por distração ou negligência», ter consentido essa irresponsabilidade.