O primeiro-ministro disse hoje que Portugal esteve no Eurogrupo para analisar a situação da Grécia com uma «posição construtiva», recusando qualquer concentração com a Alemanha.

«Portugal esteve como todos os outros países que compõem o Eurogrupo com uma posição construtiva procurando que fosse possível ao Governo grego pedir uma extensão não apenas do empréstimo que tem vigorado, mas também das condições que lhe estão associadas», afirmou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas à saída da cerimónia de apresentação de cumprimentos ao cardeal Manuel Clemente, que decorreu no Mosteiro dos Jerónimos.


Assinalando uma evolução na atitude do Governo grego, Passos Coelho defendeu que se deve ter «uma atitude positiva» para que se mantenha a disponibilidade para que «tudo dê certo» e a Grécia possa fechar o seu programa de assistência financeira.

«Acho que devemos ter uma atitude positiva, é aquela que eu tenho também. Os termos em que logo de início o Governo grego formulou os seus desejos não deixaram uma perspectiva muito positiva, mas creio que agora estamos a aproximarmo-nos mais», sustentou.

Isto é, acrescentou, «à medida que o Governo grego tem vindo a compreender em que termos é que deve percorrer este caminho com os seus parceiros, qual é o quadro de negociação que se abre, qual é o tipo de flexibilidade que pode ser obtida», há uma aproximação a um resultado que pode ser favorável.

Questionado sobre as acusações de que o Governo português seguiu orientações da Alemanha, o primeiro-ministro disse tratarem-se de declarações «absurdas», insistindo que o que aconteceu foi a existência de «uma posição muito idêntica» dos ministros que compõem o Eurogrupo.

«A ideia de que existe aqui um conjunto de países na Europa que quer que a Grécia passe mal, é um absurdo», disse.


O primeiro-ministro reiterou ainda a posição que já tinha transmitido sexta-feira, ainda antes do acordo do Eurogrupo, considerando que «ninguém podia concordar com um prolongamento do empréstimo à Grécia se ele não fosse acompanhado de um quadro de condições».

Relativamente às medidas que a Grécia tem de apresentar até segunda-feira, Passos Coelho recusou antecipar qualquer proposta, fazendo apenas votos para que possam contribuir para que a Grécia conclua o programa de assistência financeira, consiga ganhar confiança junto dos investidores e permaneça no Euro.

Passos Coelho recordou, a propósito, que a Grécia já beneficiou de «condições especiais» que outros países que estiveram com assistência financeira não tiveram, nomeadamente a reestruturação da dívida.

Ainda sobre os próximos meses, e depois do «pontapé de saída» que deverá ser dado na segunda-feira com a apresentação das medidas do Governo grego, o primeiro-ministro disse que serão meses de negociação, fazendo votos para que não representem «uma espécie de escalada verbal em que toda a gente na opinião pública discute se as coisas vão falhar ou se vão dar certo».

«Aqui não se trata de fazer cedências, trata-se de iniciar um caminho que tem de ser percorrido. Felizmente estamos a começar a conversar, não há qualquer outra condição que não seja de conversar dentro do quadro do programa que tem estado em vigor», argumentou.