O eurodeputado Rui Tavares declarou hoje à agência Lusa que não aceitaria um convite para integrar as listas do PS às eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para maio de 2014.

O eurodeputado independente, que integra o grupo do Verdes no Parlamento Europeu e que rompeu com o BE em 2011, sublinhou ter «muitas distâncias ideológicas» com os socialistas portugueses, designadamente «em termos europeus», lembrando as críticas que fez aquando da aprovação do tratado orçamental, que o PS subscreveu.

«Eu recuso ser candidato nas listas do PS, nunca mudei de ideias», afirmou Rui Tavares.

Hoje de manhã, também em declarações à Lusa, Tavares reiterou a intenção de criar um novo partido à esquerda e defendeu que as próximas eleições europeias devem ser «o ponto de partida para uma alternativa de governo» neste campo político.

Tavares disse ter recebido «muitos contactos» depois da entrevista que deu ao Expresso, publicada no fim de semana passado, onde também defendeu a criação de um novo partido, e que é preciso «fazer esse debate da forma mais aberta e pública possível».

«O próximo passo é pôr em contacto as pessoas que acreditem num novo espaço de liberdade à esquerda, assente na justiça social e na democracia europeia. Não tenho neste momento ainda uma data, estou a responder às pessoas que me têm contactado», afirmou o historiador.

Na altura, confrontado com as declarações de Francisco Assis (antigo candidato à liderança do PS e ex-líder parlamentar), que hoje, em declarações ao Diário de Notícias, confessou que gostaria de ver Rui Tavares nas listas do PS ao Parlamento Europeu, o eurodeputado não respondeu diretamente.

«Isto não é sobre arranjar um lugar para eu ser eleito, o que quero é criar um espaço de liberdade à esquerda», disse o eurodeputado dos Verdes.

Tavares considerou que «a esquerda continua enclausurada» e defendeu que os partidos devem adotar um sistema de eleições primárias abertas a não militantes para a escolha dos seus candidatos.

Questionado sobre se aceitaria integrar uma candidatura partidária num contexto de primárias abertas, o eurodeputado respondeu apenas: «Acho que é uma interpretação que decorre do que eu disse».