Notícia atualizada às 20h04

A eurodeputada Ana Gomes disse esta quinta-feira que «há suspeitas de corrupção» que envolvem Paulo Portas enquanto ministro da Defesa, mas admitiu que errou em algumas acusações que fez ao atual vice-primeiro-ministro.

A afirmação de Ana Gomes surgiu num comentário a uma pergunta da deputada do CDS-PP Cecília Meireles a propósito de um ¿post' publicado no blogue da eurodeputada socialista de abril de 2008, intitulado «Paulo Portas: a impunidade não pode continuar - 4».

«Também foi a incúria (no mínimo) de Paulo Portas à frente do Ministério da Defesa que explica como é que foi assinado um contrato de 450 milhões de euros com a AgustaWestland para a aquisição de uma frota de 12 helicópteros EH-101?», escreveu Ana Gomes no blogue

Confrontada com estas afirmações, Ana Gomes admitiu que errou, justificando que na altura não tinha dados que posteriormente conseguiu recolher, já que a assinatura desse contrato aconteceu quando o ministro da Defesa era Rui Pena.

«Foi-me dito na altura por uma fonte militar, mas depois apercebi-me que não era da responsabilidade do doutor Paulo Portas, mas do doutor Rui Pena», referiu.

«Já disse que errei nesse caso. Mas, há suspeitas de corrupção que envolvem o doutor Paulo Portas enquanto ministro da Defesa», acrescentou.

Ana Gomes deixou também outras suspeitas no ¿ar', nomeadamente em relação à Escom, antiga empresa do Grupo Espírito Santos (GES) que foi consultora do German Submarine Consorcium, ao qual o Estado português adjudicou, em 2004, o concurso para dois navios submergíveis.

«A Escom era omnipresente, a Escom é Espírito Santo, é só isso que importa e o conflito de interesses é óbvio», disse, lembrando que o Estado português era financiado pelo Espírito Santo Investment Bank (BESI) no processo de aquisição dos submarinos.

«Na Alemanha, as coisas não são muito melhores do que em Portugal»

«Há alemães condenados na Alemanha por corromperem pessoas em Portugal no quadro deste contrato de aquisição de submarinos e em Portugal não se sabe quem são os corrompidos», declarou a eurodeputada do PS.

Ana Gomes está a ser ouvida no parlamento desde as 16h30 na comissão parlamentar de inquérito à compra de equipamentos militantes, incluindo os submarinos.

Na ocasião, e respondendo ao deputado do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo, Ana Gomes admitiu que gostava de ouvir o primeiro-ministro de então, Durão Barroso, na comissão parlamentar.

«Qual foi a participação do doutor Durão Barroso?», interrogou a eurodeputada, secundada por João Semedo, que lembrou que o BE pediu a audição de Barroso na comissão, que foi chumbada, e disse ter contudo a «profunda convicção» de que o ainda presidente da Comissão Europeia terá «inevitavelmente" de se explicar, seja "presencialmente ou por escrito».

Perante os deputados da comissão parlamentar de inquérito aos Programas de Aquisição de Equipamentos Militares (EH-101, P-3 Orion, C-295, torpedos, F-16, submarinos, Pandur II), a eurodeputada do PS revelou também que já escreveu à chanceler alemã Angela Merkel e a outras autoridades alemãs a pedir colaboração no caso da aquisição dos submarinos, porque a «cooperação judiciária» entre os dois países «parece ser extremamente deficiente».

Ainda sobre Barroso, Ana Gomes diz que é «muito importante» perceber melhor como foi o comportamento do então primeiro-ministro, já que, advoga, o seu «envolvimento é muito maior do que parece ser» na compra dos submarinos.

Posteriormente, e instada pela deputada do CDS-PP Cecília Meireles a falar sobre eventuais situações envolvendo dirigentes do PS, e se delas falaria como fala atualmente de figuras de outros partidos, Ana Gomes diz que se tal ocorrer não fugirá a revelar ilegalidades.

«Estarei na linha da frente para expor essas pessoas», disse.