O PSD pediu, esta terça-feira, ao Governo que avalie, a breve prazo, medidas para minorar o impacto negativo do fim da taxa de câmbio mínima euro/franco suíço sobre os salários dos trabalhadores portugueses na Suíça.

Num requerimento dirigido ao ministério dos Negócios Estrangeiros e entregue na Assembleia da República, o deputado social-democrata Carlos Alberto Gonçalves afirma que a decisão do Banco Nacional Suíço, conhecida na semana passada, de suprimir a taxa de câmbio fixa entre o euro e o franco suíço (1,20 euros) «fez com que muito rapidamente o euro desvalorizasse cerca de 17 por cento em relação à moeda helvética».

Esta alteração, considera o deputado eleito pelo círculo da Europa, «trouxe consequências imediatas para os funcionários do quadro externo do ministério dos Negócios Estrangeiros que exercem funções consulares na Suíça, onde residem e onde são pagos em euros».

«Esta forte desvalorização do euro, para além de implicar uma redução salarial bastante substancial para estes funcionários, deixa todo este pessoal numa situação de grande incerteza relativamente ao seu futuro», refere no requerimento.

Carlos Gonçalves defende o «devido acompanhamento desta situação», cujo «caráter excecional» justifica a necessidade de serem consideradas «eventuais medidas tendo em vista a sua resolução a breve prazo».

O deputado do PSD questiona o ministério dos Negócios Estrangeiros sobre se está a acompanhar esta situação e se prevê «encontrar alguma solução para ultrapassar esta situação e minorar os efeitos que ela possa vir a ter para os funcionários» portugueses.

Numa resposta a questões enviadas pela agência Lusa, fonte oficial do ministério liderado por Rui Machete afirmou esta manhã que o Governo “está a acompanhar com particular atenção a situação decorrente da decisão do Banco Nacional Suíço, divulgada em 15 de janeiro de 2015, no sentido de abandonar a taxa de câmbio fixa euro-franco suíço, bem como o impacto direto dessa decisão e suas repercussões nas remunerações e abonos de todos os trabalhadores pertencentes aos mapas de pessoal” do ministério dos Negócios Estrangeiros.

A mesma fonte adiantou que o ministério «está a analisar todas as opções existentes no plano legal que permitam ir ao encontro das preocupações expressas pelos trabalhadores em funções na Suíça».

Sindicatos que representam os trabalhadores consulares e os professores a trabalhar na Suíça já alertaram para os impactos nos salários, pagos em euros, devido à queda do euro face ao franco suíço, estimando perdas mensais de 400 a 500 euros ou reduções na ordem dos 20 por cento do ordenado.