O Presidente da República disse que se a Grécia saísse do euro, ficavam 18 países e há outros na fila para entrar. Será mesmo assim? A Polónia, por exemplo, pode vir a baralhar as contas de Cavaco Silva, à luz do que estão a ditar as sondagens. 

O debate entre os polacos sobre a adesão à moeda única voltou a estalar no ano passado e o presidente da altura queria acelerar o processo, tomando uma decisão mediante o resultado das legislativas de outubro deste ano.

Mas Bronislaw Komorowski  foi derrotado nas presidenciais de maio, o país virou à direita e Andrzej Duda é o novo chefe de Estado. Teve a preciosa ajuda de Beata Szydlo, líder do partido Direito e Justiça, que quer repetir a fórmula vencedora para si mesma e chegar a primeira-ministra.

O seu partido é, de resto, o que tem estado praticamente sempre à frente, nas sondagens, desde as presidenciais. E Szydlo não quer ter nada a ver com o euro.   

"O meu governo certamente não vai introduzir o euro na Polónia"

 
A política falava na quinta-feira à AP, destacando que os cidadãos polacos estão "felizes" na União Europeia e que isso foi uma "grande conquista". Partilhar a mesma moeda já é coisa diferente:
"Mas para mim, é importante deixar os interesses económicos e várias questões de consciência da Polónia fora dos países membros, cujas leis estão acima das leis sindicais"

Daí que o cenário colocado por Cavaco Silva - de haver mais países a quererem o euro - pode não se concretizar, ou não se concretizar tão em breve.

Já em 2008, Varsóvia tinha mostrado muito interesse em aderir rapidamente, mas recuou em 2010, quando estalou a crise da dívida.

A Roménia foi outro país a manifestar, recentemente, o desejo de fazer parte da família da zona euro, traçando como objetivo entrar antes de 2019. Não será, pois, um projeto para o curto prazo. 

Desde a última adesão, da Lituânia, em janeiro deste ano, que a zona euro parece ter fechado um ciclo. Não há mais nenhum país da União Europeia verdadeiramente na lista de espera.

Alguns expressam essa vontade, mas com as mudanças políticas de cada país - e com a instabilidade decorrente da crise grega -  tudo pode mudar. Outros rejeitam liminarmente, como o Reino Unido e a Dinamarca.