O cabeça de lista do Partido da Terra (MPT) pelo Porto, Eurico Figueiredo, iniciou esta segunda-feira uma greve de fome por alegadamente a Segurança Social lhe dever mais de três mil euros, resultante de uma penhora ilegal.

O ex-deputado diz que, há três anos, lhe foi penhorada a reforma por uma alegada dívida relacionada com o não pagamento das contribuições entre maio de 2005 e novembro de 2008, enquanto administrador de uma empresa vitivinícola.

Em outubro de 2014, a penhora foi considerada ilegítima, tendo sido o dinheiro desbloqueado pelos bancos, mas a Segurança Social ainda não lhe reembolsou os mais de três mil euros de dívida ao fisco, referiu o professor catedrático jubilado da Universidade do Porto.

“Este é um Estado delinquente que quero denunciar e garantir que, se for eleito deputado, vou ser intransigente e transformar um Estado delinquente num Estado de bem”


Eurico Figueiredo falava aos jornalistas, em frente ao edifício da Segurança Social do Porto, salientando que a greve de fome vai ser feita em casa e não na praça pública para não cair no “ridículo” e devido à sua idade (76 anos) e “condição pessoal”.

“O protesto vai ser acompanhado por um médico, meu amigo pessoal, que quando vir que estou a correr riscos óbvios será forçado a hospitalizar-me. Diariamente, serão colocadas informações do meu estado de saúde na minha página pessoal do Facebook”


Questionado sobre a duração da greve de fome, Eurico Figueiredo disse que irá durar até obter uma resposta do Estado. “É preciso combater comportamentos do Estado, mais compatíveis com um Estado delinquente do que com uma pessoa de bem, que prejudicam muitos portugueses, sobretudo quando estes passam sérias dificuldades e deveriam encontrar no Estado um apoio efetivo e não algo que ainda dificulta mais a resolução dos problemas”, adiantou.

Eurico Figueiredo revelou que a Segurança Social lhe cortou o acesso ao gasóleo verde (mais barato para os produtores agrícolas) por não ter pago, durante dois meses, as contribuições relativas a dois trabalhadores da sua empresa. “Não fiz o pagamento por falta de dinheiro”, acrescentou.

O candidato do MPT afirmou que o partido apoia a sua greve, embora seja de caracter individual.

Em comunicado, o presidente do partido, José Inácio Faria, mostrou-se solidário com Eurico Figueiredo, afirmando reconhecer-lhe “a combatividade que marca o seu percurso de vida e a coragem para, através do seu caso, demonstrar a insensibilidade do Estado perante os cidadãos”.