O PS acusou hoje o Governo de se apropriar do trabalho dos empresários portugueses para tirar conclusões de que a sua política tem dado resultados, acusando o ministro da Economia de «cobrir um erro com um novo erro».

«O ministro da Economia não pode cobrir um erro, o facto de que o país não atravessa um milagre económico, com outro erro, ao dizer que a oposição não reconhece o esforço dos empresários. O PS reconhece o trabalho dos empresários, mas não o direito do Governo, depois da política económica seguida nos últimos dois anos e meio, querer apropriar-se do trabalho dos outros», disse à Lusa Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS.

Segundo o dirigente do PS, o governo social-democrata tem-se igualmente «apropriado» de tudo aquilo que o Partido Socialista «tem feito para a promoção do emprego e do crescimento», reconhecendo que são «as bandeiras» que o partido tem «levantado bem alto nos últimos dois anos e meio».

O ministro da Economia, Pires de Lima, acusou segunda-feira, à entrada para as jornadas do PSD/CDS-PP «Portugal no rumo certo. Mais Indústria. Melhor Economia. Mais Emprego», o Partido Socialista de desvalorizar os sinais de retoma económica e crescimento económico.

«Acho que é bem preferível, eventualmente, exagerar nos elogios que eu tenho feito às empresas por serem as grandes obreiras desta recuperação económica, tendo como parceiro o papel do Estado e do Governo do que, permanentemente, como fazem os partidos da oposição, desvalorizar os sinais de retoma económica, de crescimento económico», defendeu Pires de Lima.

O ministro da Economia considerou também ser preferível exagerar nos elogios às empresas do que desvalorizar os sinais de retoma económica, como faz a oposição, admitindo um «excesso de linguagem» quando falou em «milagre económico».

«Aquilo que o PS não reconhece é ao Governo o direito de se apropriar do trabalho dos empresários para tirar conclusões de que a sua política deu resultados, bem pelo contrario, se há resultados no lado das exportações, apesar de tudo inferiores às estimativas do governo e aquilo que o país precisa, foi porque os empresário olharam para o mercado externo e procuraram novos clientes quando o mercado interno estava em fortíssima depressão por resultado da politica do governo», frisou Eurico Brilhante Dias.