O PS acusou o Governo de se preparar para fazer cortes acrescidos nos setores na saúde, educação e segurança social e de continuar a esconder os cortes permanentes nos salários da função pública e nas pensões.

Esta posição foi transmitida por Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, depois de a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ter anunciado medidas de redução da despesa na ordem dos 1,4 mil milhões de euros, 0,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), tendo em vista que Portugal cumpra em 2015 a meta do défice de 2,5 por cento.

Numa reação às decisões tomadas em Conselho de Ministros extraordinário, o dirigente socialista considerou que, «ao fim de três anos de uma estratégia falhada, o Governo prepara-se para fazer mais cortes na saúde, na educação e na segurança social».

«Com este Governo não há pacote de austeridade que não leve a um novo pacote de austeridade. Este é o Governo do primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] que a 03 de maio de 2013 escreveu à troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) dizendo que, para 2015, o conjunto de medidas necessárias para ajustar o défice não chegaria a 500 milhões de euros», apontou Eurico Brilhante Dias.

Na sua declaração inicial, o membro do Secretariado Nacional do PS criticou ainda o Governo por continuar sem esclarecer junto dos pensionistas e trabalhadores do setor público quais os cortes provisórios que pretende transformá-los em permanentes.

«Qual o fundamento do documento da Comissão Europeia que diz que para futuro o valor das pensões vai variar em função do crescimento económico e da demografia? Sobre este assunto em contrato, uma vez mais, houve pouca transparência, pouca clareza e um adiar da comunicação ao país sobre o que vai acontecer. A angústia dos pensionistas e dos funcionários públicos é natural e este Governo não tem feito outra coisa senão alimentar a incerteza», acrescentou o membro do Secretariado Nacional do PS.