O PS acusou esta quinta-feira o Governo de delapidar o interesse nacional com a desativação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), considerando que o ministro da Defesa traiu a região e é «persona non grata».

Estas críticas ao executivo PSD/CDS foram feitas pelo deputado socialista Jorge Fão, a meio da reunião da bancada socialista na Assembleia da República, em reação ao despedimento coletivo de cerca de seis centenas de trabalhadores e ao fecho destes estaleiros navais.

«O PS entende que o Governo,-essencialmente centrado nos ministros da Defesa (José Pedro Aguiar-Branco), das Finanças (Maria Luís Albuquerque), da Economia (Pires de Lima) e no primeiro-ministro (Pedro Passos Coelho-tem em relação aos Estaleiros de Viana do Castelo um péssimo trabalho para apresentar, que é o fim desta unidade produtiva. Quero dizer que não esqueceremos nem perdoaremos mais ao PSD e ao CDS o resultado que apresenta para os ENVC", declarou Jorge Fão, eleito pelo círculo de Viana do Castelo.

Segundo o deputado e dirigente socialista, neste processo, «o ministro Aguiar-Branco traiu os estaleiros e traiu a região».

«Estou convencido que a construção naval nacional o considera persona non grata, porque aniquila e desativa o único estaleiro naval existente em Portugal. Este Governo portou-se como o pior dos patrões: Despede os trabalhadores, não acautela a continuidade da empresa e delapida o interesse nacional», acusou.

Nas declarações que fez aos jornalistas, Jorge Fão insurgiu-se com a forma «inaceitável» como foram tratados os trabalhadores.

«Todo este processo foi desenvolvido, sobretudo a parte final referente à subconcessão, com uma total falta de transparência, sem articulação com os atores políticos locais (a Câmara Municipal e interesses empresariais), causando uma catástrofe para a economia da região do país. O PS considera desastroso o final do processo para os ENVC. A gestão deste dossiê foi danosa ao longo dos últimos dois anos e meio e este final é catastrófico para a economia nacional, sobretudo da região», insistiu o deputado socialista.

De acordo com o deputado do PS, desde 2011, «o que este Governo fez foi dispensar e deitar para o lixo um plano de reestruturação de revitalização da empresa».

«Parou completamente a atividade, desmantelou um trabalho de luta para se conseguir novas encomendas, mantendo a empresa em atividade, e delapidou a imagem dos estaleiros para ao fim de dois anos e meio se anunciar o despedimento coletivo de todos os trabalhadores e a entrega (através de subconcessão) dos terrenos e dos equipamentos por uma mísera quantia de 40 mil euros por mês», apontou Jorge Fão.

O deputado do PS considerou ainda que o encerramento dos estaleiros está em contradição com os objetivos do Estado Português desenvolver a estratégia do mar.

«Se tanto falamos da necessidade de uma aposta para o mar, digo que a construção naval foi aqui muito mal tratada. O único estaleiro naval que em Portugal faz construção naval é pura e simplesmente encerrado, o conhecimento e a experiência dos trabalhadores são dispensados em nome de uma solução de futuro incerto», advogou o dirigente socialista em declarações à Lusa.

Estaleiros de Viana são «um caso de polícia».

Quem também veio para uma reunião foi o autarca de Viana.O presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, o socialista José Maria Costa, veio a Lisboa reunir-se com a bancada do PS, na Assembleia da República, para pedir uma comissão de inquérito sobre o caso dos estaleiros.

«Vim cá ao grupo parlamentar do PS para solicitar uma comissão de inquérito para este caso, porque acho que este é um caso de polícia», disse José Maria Costa esta manhã aos jornalistas.