O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu este sábado «um apuramento de responsabilidades» no processo da subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, afirmando tratar-se de «uma ameaça de um crime social».

«O apuramento de responsabilidades deve ser feito, porque isto é um processo, não culminou agora num ato súbito, é um processo de irresponsabilidade, de adiamento, de não resolução do problema», afirmou Jerónimo de Sousa, no Porto, à margem da inauguração da exposição «Álvaro Cunhal - Vida, pensamento e luta: exemplo que se projeta na atualidade e no futuro».

Jerónimo de Sousa recordou, contudo, que «isto não começou com este Governo».

«De qualquer forma é importante apurar responsabilidades, estamos perante a ameaça de um crime social, não é só laboral, de impacto regional», sublinhou.

Para o comunista, o «combate» dos trabalhadores ao processo que culminou esta semana com a adjudicação da subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC à Martifer, e consequente encerramento da empresa pública, «não vai terminar, tendo em conta esta forma sumária de promover um despedimento de mais de 600 trabalhadores».

«Num quadro em que precisávamos tanto de produzir mais, defender o nosso aparelho produtivo, este Governo decide deste forma sumária este despedimento, na prática a liquidação da empresa, com falsas promessas de ter alguns trabalhadores depois na futura empresa, mas do género logo de vê», disse.

Jerónimo de Sousa considerou tratar-se de «um ataque os trabalhadores, à região, aquele concelho e aquele distrito, que tem défices de pobreza e exclusão muito elevados».

O secretário-geral disse ainda que há «um crescendo de luta dos trabalhadores, de vários setores e camadas sociais (...), num autêntico levantamento de indignação e de protesto que demonstra que este Governo está cada vez mais isolado no plano social, que é um Governo que devia ser demitido e de novo ser dada a palavra ao povo».

No processo da adjudicação da subconcessão dos estaleiros à Martifer, o Estado receberá, até 2031, 415 mil euros anuais.

Bloco acusa Governo de «negociatas» com CTT e Estaleiros de Viana

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins acusou o Governo PSD/CDS-PP de fazer «negociatas contra o país» com a privatização dos CTT e a subconcessão à Martifer dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

Em conferência de imprensa, Catarina Martins sustentou que esta foi «a semana das negociatas das privatizações que destroem o que é público em nome de garantir algumas rendas privadas».

«A privatização dos CTT e a dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo põem o Estado a pagar negócios privados, ao mesmo tempo que prescinde de possibilidades de intervenção em setores essenciais. São, portanto, estas privatizações uma negociata contra o país», afirmou.

No que respeita aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a coordenadora do BE disse que «o Estado vai gastar 30 milhões de euros a despedir trabalhadores», quantia «que sempre recusou para o que era o necessário investimento nos estaleiros, para que os estaleiros pudessem responder a encomendas e, com isso, ser viáveis».

De acordo com a dirigente do BE, aquilo que a Martifer pagará ao Governo «é menos do que o Governo gasta com ancoragem de um navio nos Estaleiros do Alfeite», o que demonstra que se trata de «mais uma negociata contra o país».

Segundo Catarina Martins, o Governo prepara-se ainda para vender os CTT «por tuta e meia, atribuindo ao mesmo tempo uma licença bancária, ou seja, estando também a entregar um banco com a maior rede de balcões em todo o país».

«Esta é, portanto, uma negociata contra o país», concluiu.

Catarina Martins referiu que os CTT são «uma empresa lucrativa, que entrega aos cofres todos os anos mais de 50 milhões de euro», reconhecida como «um dos melhores serviços postais de todo o mundo» e que assegura «uma ligação das populações ao Estado e aos serviços públicos».