O deputado do CDS-PP José Ribeiro e Castro qualificou esta quarta-feira de «histórico» o anúncio do Presidente dos Estados Unidos de que pretende discutir o levantamento do embargo a Cuba e o restabelecimento de relações diplomáticas.

«Creio que hoje é um dia histórico, quero saudar quer da parte dos Estados Unidos da América e de Cuba, as decisões que foram tomadas e também agradecer a intervenção do Vaticano e do papa Francisco, que foi referido pelo Presidente Raul Castro», disse à Lusa o deputado centrista, que integra o grupo de amizade Portugal - Cuba.


Também o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, considerou que «este restabelecimento de relações diplomáticas é um passo muito importante».

«É certamente muito importante nas relações diplomáticas e certamente vai abrir caminho para pôr fim a um embargo que nunca prejudicou o regime cubano, mas sim as pessoas mais pobres e mais desfavorecidas. Não podemos deixar, por isso, de sublinhar a importância deste momento e salientar o papel decisivo de sua santidade, o papa Francisco», declarou à Lusa.


O PCP também se congratulou com a aproximação dos dois países, considerando que o povo cubano já foi injustamente sacrificado por um embargo condenado pela comunidade internacional.

«Vejo este desenvolvimento diplomático com grande satisfação, traduzido para já quer na libertação de um cidadão norte-americano pelas autoridades cubanas, quer de três cidadãos cubanos que permaneciam injustamente há longos anos em cadeias dos Estados Unidos», declarou António Filipe.


António Filipe referiu depois que, recentemente, «um grupo muito significativo de deputados» da Assembleia da República, por iniciativa de um grupo de amizade a que ele próprio preside, lançou um apelo às autoridades norte-americanas para a libertação desses cidadãos cubanos.

«É uma vitória muito importante do movimento de solidariedade com Cuba e é um acontecimento muito relevante. Fazemos votos que estes passos prossigam no sentido do levantamento total do bloqueio norte-americano a Cuba, que é uma medida absurda do ponto de vista das relações internacionais e uma punição injustificada do povo cubano, que tem causado incomensuráveis prejuízos e que é unanimemente repudiada pela comunidade internacional», declarou o deputado do PCP e vice-presidente da Assembleia da República.


Interrogado se este é o momento para haver uma maior abertura do regime de Havana em matéria de liberdades individuais, António Filipe respondeu: «É fundamental que haja uma relação de respeito mútuo entre os dois países e que a vontade e a soberania do povo cubano sejam respeitadas».

O PSD congratulou-se com o reatamento de relações diplomáticas entre os Estados Unidos da América e Cuba, considerando que resultou de uma evolução destes dois Estados e abre uma «nova zona de paz» no mundo.

Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, o vice-presidente da bancada do PSD António Rodrigues considerou que este «é um momento histórico», que «ilustra o esforço que estes dois Estados fizeram para evoluir, e que os Estados e os políticos também são capazes de encarnar a evolução que o mundo tem demonstrado».

António Rodrigues afirmou que «o anúncio que hoje foi feito, quer da troca de prisioneiros, quer do estabelecimento de uma embaixada dos Estados Unidos em Cuba, é de facto um momento que marca meio século de más relações entre dois Estados» e «vai introduzir uma nova zona de paz numa zona que já de si já era conturbada».

«E convoca para a necessidade também de olharmos para outros pontos do globo e também aqui tentarmos fazer um esforço para a paz. Os partidos de outros países, nomeadamente Portugal, também precisam de evoluir nesta matéria, e esperamos que mesmo aqui no parlamento isso seja visível e seja possível dentro em breve», acrescentou o deputado social-democrata, coordenador do PSD na Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República.


Esta quarta-feira, numa intervenção a partir da Casa Branca, em Washington, Barack Obama afirmou que os Estados Unidos pretendem retirar Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo.

Estas medidas surgem no âmbito de uma aproximação histórica entre os dois países, que não têm relações diplomáticas oficiais desde 1961.