O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou esta terça-feira, em Atenas, que os riscos e ameaças das ações terroristas do Estado Islâmico são maiores para a segurança europeia e global do que a situação na Ucrânia, pois é um movimento «sem rosto».

Numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, após uma reunião de trabalho em Atenas, Passos Coelho, comentando a atualidade internacional, apontou que tanto a situação a Leste como a instabilidade na vizinhança a sul da Europa são preocupantes, mas, defendeu, a diferença está nos interlocutores.

Relativamente à crise na Ucrânia, refutou de novo liminarmente a ideia de uma resposta militar, argumentando que tal seria «responder a um erro com outro erro», e insistiu que o caminho que está a ser seguido, o de sanções económicas à Rússia e pressão diplomática sobre Moscovo, é o acertado.

«Não está em cima da mesa uma resposta militar a esta situação. Não podemos responder a um erro com outro erro. Mas dizemos à Rússia que nunca reconheceremos a anexação da Crimeia, e estamos a aumentar o nível de sanções económicas porque estamos a enviar uma mensagem à Rússia de que desaprovamos estes métodos e esta forma de desrespeitar a lei internacional», afirmou.

A questão, salientou, é que, «no caso da Ucrânia, há alguém com quem falar e negociar», o que não acontece no caso das ações do Estado Islâmico na Síria, Líbia e Iraque.

«Não temos um rosto, não temos ninguém com quem discutir. E já não digo negociar, porque não podemos negociar com o terror», disse, acrescentando que essa é mais uma razão para promover uma «melhor coligação internacional para lutar contra este terror sem rosto».

«Para a segurança global e para a segurança europeia, diria que os riscos e ameaças na vizinhança a sul são mais preocupantes que a situação a Leste da Europa», embora sendo ambos os casos preocupantes, apontou.