O Governo não recebeu pedidos de ajuda de portugueses na Líbia, onde os fundamentalistas islâmicos estão a avançar, disse o secretário de Estado das Comunidades, que recordou que no verão foram retirados dez cidadãos nacionais devido à instabilidade.

Questionado pela Lusa sobre a eventual permanência de portugueses na Líbia, José Cesário admitiu que «possa ainda haver por lá» algum cidadão, mas referiu que o Governo não recebeu qualquer pedido de ajuda para abandonar o país, onde o movimento jihadista Estado Islâmico está a avançar.

O secretário de Estado recordou que em julho do ano passado, o executivo decidiu suspender temporariamente a representação diplomática portuguesa em Trípoli devido à situação de insegurança, altura em que cerca de uma dezena de cidadãos portugueses foi repatriada.

Na altura, sete cidadãos de nacionalidade portuguesa optaram por ficar em território líbio. O Governo mantém as recomendações emitidas no verão passado, desaconselhando os cidadãos nacionais a viajar para aquele país.

O encerramento da embaixada portuguesa em Trípoli, a 28 de julho, deveu-se ao agravamento dos confrontos no país, os mais violentos desde a queda do regime de Muammar Khadafi, entre milícias armadas e o exército líbio.

A instabilidade no país tem-se agravado entretanto, com o avanço dos extremistas islâmicos, que levou a Itália a encerrar a sua embaixada em Trípoli no fim de semana passado, uma das últimas missões diplomáticas europeias naquele país conturbado.

Em declarações aos jornalistas em Roma, onde se deslocou por ocasião da investidura de Manuel Clemente como cardeal, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, declarou este domingo que o avanço do autoproclamado Estado Islâmico é «um problema europeu».

Os extremistas classificaram o chefe da diplomacia italiana, Paolo Gentiloni, como um alvo a abater, depois de o governante ter defendido que o avanço dos fundamentalistas islâmicos da Líbia não podia ser encarado como um problema só da Itália pela proximidade geográfica.

Rui Machete disse que, mesmo depois de o Estado Islâmico ter declarado a Península Ibérica como alvo das suas ações, Portugal não tem, para já, motivos para alterar o seu estado de alerta em relação ao terrorismo.

«Pensamos que não há neste momento razões para ter algum especial alarme, mas temos que estar vigilantes», afirmou.

Sobre a Líbia, Portugal tem uma enviada especial na Tunísia, que mantém o país informado sobre «a evolução de uma situação que é infelizmente muito complexa e muito difícil», adiantou o ministro português.