Ferro Rodrigues desafiou Passos Coelho a reagiu aos sete pecados capitais que o Partido Socialista considera que o Executivo cometeu ao longo da legislatura e o primeiro-ministro respondeu, enunciando as dez pragas que o PS deixou a Portugal. A troca de acusações, esta quarta-feira, proporcionou um dos momentos mais acalorados do debate sobre o Estado da Nação, no Parlamento.

Recorde-se que o secretário-geral do PS, António Costa, fez um roteiro pelo país, no sentido de denunciar os "sete pecados capitais" do Executivo ao longo da legislatura: mentira, desemprego/emigração, pobreza/desigualdade, ataque feroz à classe média, desmantelamento de serviços públicos fundamentais, desinvestimento nos setores estratégicos e a queda do investimento público e privado.

O primeiro-ministro respondeu ao desafio de Ferro Rodrigues, enunciando as dez pragas que o PS deixou a Portugal.
 
1 - "Obras faraónicas: PPP, TGV, que só produziram responsabilidades e não riqueza";

2 - "Programas de estabilidade que não trouxeram crescimento e cortes na função pública";

3 - "Uma das maiores desigualdades em toda a União Europeia";

4 - "Défices orçamentais ruinosos";

5  - "Défices externos preocupantes que rondaram 10% em média na última década até 2011";

6 -  "Completo desgoverno do setor empresarial do Estado";

7 - "Nacionalização do BPN";

8 - "Défice tarifário na eletricidade";

9 - "Endividamento, com a culminação da expulsão de Portugal dos mercados financeiros e pedido da vinda da Troika";

10 - "Desemprego estrutural acima de 10%".


Na sua intervenção, Ferro Rodrigues leu alguns títulos de jornais sobre o défice e o nível de vida dos portugueses para confrontar o primeiro-ministro com a "realidade" que "esbarra no irrealismo" e na "propaganda" do Governo. O líder da bancada parlamentar socialista referiu o crescimento do "desemprego" e da "emigração", para frisar que o país recuou várias décadas atrás.

"Os senhores é que são especialistas no regresso ao passado."

Passos admitiu que o nível de desemprego ainda é "inaceitavelmente elevado" e que a pobreza e as desigualdades sociais que ainda existem têm de ser combatidas. Contudo, salientou que o país pode olhar, agora, o futuro com confiança.

"Apesar de termos um nível de desemprego ainda inaceitavelmente elevado e bolsas de pobreza e desigualdades de natureza social e cultural que temos de combater, não há dúvida que podemos olhar para o futuro com outra confiança, porque sabemos que não estamos a caminhar para a insustentabilidade e para o resgate."


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