A privatização da Valorsul foi esta terça-feira criticada pelo presidente da câmara de Lisboa, António Costa, que a considerou como um sinal de que os municípios «venderam os anéis e preparam-se para vender os dedos».

«Não há razão para serem os municípios a contribuírem com o seu património para a amortização da dívida pública. Já vendemos os anéis e preparamo-nos para vender os dedos», disse o autarca na reunião da Assembleia Municipal.

Mostrando-se bastante crítico por a privatização da Valorsul ter sido uma decisão unilateral do Governo, o presidente da câmara lembrou que aquele era um sistema «considerado pelo Estado como estratégico, por servir um universo populacional muito significativo».

A Valorsul - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões de Lisboa e do Oeste, S.A.- é a empresa responsável pelo tratamento e valorização das cerca de 950 mil toneladas de resíduos urbanos produzidos por ano nos municípios da Grande Lisboa e da região Oeste.

«Surpreendentemente, o mesmo Estado que impôs ter maioria absoluta do capital [da Valorsul] vem decidir que deve proceder à privatização integral da sua participação na empresa, não podendo os municípios adquirir a participação do Estado», afirmou.

António Costa frisou ainda que todos os municípios que integram a Valorsul «estão unidos na mesma posição de oposição e exigência da possibilidade de terem, no mínimo, 51% total da Valorsul».

Exemplificando a «empresa equilibrada e geradora de lucros» que é a Valorsul, o autarca afirmou que tem permitido uma «invejável eficiência que permite aos municípios o tratamento dos resíduos a uma taxa de 20 euros a tonelada», enquanto os municípios de Sintra, Cascais, Oeiras e Mafra pagam 60 euros por tonelada no sistema intermunicipal Tratolixo.

António Costa criticou também «todas as privatizações já feitas» e que somam o montante de oito mil milhões de euros.