O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que muitos dos que integram ou integraram o Governo pensam na sua carreira, «servindo outros interesses» e «nem fazem um periodozinho de nojo».

«O Governo e muitos dos que o compõem ou têm composto, que se dizem ao serviço do país, mas que na verdade estão a pensar em si, na sua carreira, no seu futuro, servindo outros interesses, safam-se sempre», disse Jerónimo de Sousa num comício na Marinha Grande, no âmbito das comemorações do 80.º aniversário da Revolta de 18 de Janeiro de 1934.

Perante centenas de pessoas, o líder comunista questionou: «Veja-se quando acaba a comissão de serviço no Governo ou no Estado para onde vão muitos dos senhores ministros e secretários de Estado. Sigam-lhes o rasto e verão a mando de quem andam, a quem andavam a servir, a quem pretendiam agradar».

Jerónimo de Sousa adiantou: «Faleceu António Borges, ministro sombra das privatizações e o ex-responsável da Goldman Sachs, e aí temos o sr. Luís Arnaut, ex-secretário-geral do PSD, ex-ministro, a tomar um lugar de topo como consultor nesse megabanco com interesses nas privatizações em curso».

O responsável apontou, ainda, outros casos: «Veja-se o ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira, ainda agora saiu e já vai a caminho da OCDE, enquanto o ex-ministro Vítor Gaspar, o amigo do peito do ministro das Finanças alemão e grande mandante das troikas, vai a caminho do FMI com o apoio incondicional da senhora Merkel».

«Nem fazem sequer um periodozinho de nojo!», observou, desafiando: «Mas sigam o rasto de outros, designadamente de governantes do PS em anteriores governos, e vê-los-ão nas administrações, nos conselhos fiscais, nos bancos, nas empresas, à frente dos negócios e negociatas dos grandes grupos económicos e financeiros portugueses».

«Portugueses, é como quem diz, de português já só têm o nome ou pouco mais, porque o resto está hipotecado ao estrangeiro. Já não é o país que conta, nem o seu desenvolvimento, mas que serve os interesses dos grandes centros de decisão estrangeiros. É assim na PT, na EDP, na Cimpor», acrescentou.

Segundo Jerónimo de Sousa, «há quem diga que isto anda tudo ligado e não se engana», considerando: «Portugal não se liberta da dependência com esta política, com esta rede de submissão que está montada para servir o grande capital e a elite que o rodeia, defende e garante os seus interesses aqui, na Europa e nos grandes centros de decisão do capitalismo internacional».

O ex-ministro-adjunto de Durão Barroso, José Luis Arnaut, foi nomeado para o conselho consultivo internacional do banco norte-americano Goldman Sachs, indicou no passado dia 10 o banco.

José Luis Arnaut, que foi também ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional no Governo de Santana Lopes (entre 2004 e 2005) e secretário-geral do PSD, irá ser fazer parte de um grupo de consultores onde está integrado, por exemplo, o ex-presidente do Banco Mundial, Robert Zoelick.