O líder comunista afirmou esta segunda-feira que a proposta de orçamento do Estado para 2014 «confronta» o Presidente da República com uma «única solução»: «o veto puro e simples».

«Um orçamento que confronta o Presidente da República com as suas responsabilidades e o seu compromisso de defesa da Constituição da República. Um orçamento que, em coerência com tal compromisso, devia ter como única solução o veto puro e simples e a sua devolução à Assembleia da República para o conformar com a Lei Fundamental e os verdadeiros interesses dos portugueses», enumerou Jerónimo de Sousa, no arranque das jornadas parlamentares, em Faro.

O secretário-geral do PCP considerou que o eventual veto serviria «para dar resposta também ao clamor do protesto e indignação dos trabalhadores e do povo, que percorre o pais, e que claramente rejeitam este orçamento e exigem ser tratados com justiça e consideradas as suas vidas no futuro».

«Omitem que o Algarve continua a bater os recordes do aumento da precariedade das relações de trabalho e que hoje é apelidada, pela particular situação que aqui se vive, de capital do trabalho precário e da sazonalidade», criticou.

Segundo Jerónimo de Sousa, os líderes do executivo, Passos Coelho e Paulo Portas, e restantes membros do elenco «podem dizer que estão a crescer, mas continuam a destruir a vida da maioria das pessoas porque a sua opção é a do crescimento sem desenvolvimento, sem criar emprego, sem direitos, com salários baixos e miséria».

O também deputado comunista destacou as «medidas de cortes brutais» previstos para os setores da educação e da saúde, prevendo que a situação se vai agravar.

«Um orçamento sustentado em duas opções ideológicas fundamentais para o grande capital em Portugal: reduzir a escola pública a um instituto de formação profissional de banda estreita sem qualidade e por isso aprofunda a escola dual e o ensino vocacional, aproximando-se do período anterior ao 25 de Abril de 1974, em que a divisão entre escolas técnicas e liceus constituía, de facto, uma divisão social», comparou, reiterando a discordância do PCP face à nova prova de avaliação dos professores.