O advogado António Marinho Pinto apresentou-se esta sexta-feira como cabeça de lista às eleições europeias pelo Movimento Partido da Terra (MPT) e disposto a impor um «discurso de verdade» na política.

«Em democracia, não se pode governar contra a vontade do povo, há que respeitar a vontade popular. Só se chega ao poder através do voto, mas não é lícito alcançar o poder com recurso à mentira, ao logro e à fraude política. Isso descredibiliza os órgãos do Estado e a própria democracia e só se consegue com mais honestidade, mais verdade na vida pública. Queremos trazer mais verdade à política portuguesa», disse, em conferência de imprensa, num hotel lisboeta.

O antigo bastonário da Ordem dos Advogados, durante seis anos, foi o primeiro cabeça de lista de um partido concorrente ao sufrágio europeu de 25 de maio a ser conhecido e fez uma «primeira promessa» caso chegue a uma posição que lhe permita cumpri-la: «Criar em todos os concelhos tribunais de competência genérica.»

«Tal como Portugal, a Europa está entregue a políticos com fraca dimensão. Não têm a grandeza moral daqueles que dirigiram a Europa outrora. Os grandes centros de decisão estão entregues a burocratas, sem legitimidade democrática. Tal como com a democracia, também os problemas da Europa se resolvem com mais Europa. É preciso por fim à guerra económica entre católicos e protestantes», afirmou, depois de elencar múltiplos nomes de «pais» da União Europeia e antigos líderes de Estados-membros.

Marinho Pinto garantiu também suspender a sua cédula profissional se for eleito eurodeputado porque, «numa república, a ética não está na lei, mas na consciência das pessoas e nem tudo o que a lei permite deve ser feito».

«Eu sou a favor do referendo da coadoção. Agora, a forma como se chegou ao referendo, é incorreta. Não se pode obrigar deputados a votar contra a sua consciência, a degradarem-se tanto», criticou ainda, reiterando a sua posição sobre o assunto, decidido há uma semana no Parlamento português.

Para o advogado, «a coadoção deve ser discutida com a sociedade portuguesa», em vez daquilo que considera ser «uma forma de bullying sobre a democracia» por parte de «uma minoria de iluminados que se infiltrou no PS e levou o partido a rodar a sua posição em 180 graus».

«Não pode haver oportunismo político em questões de consciência. Sou contra porque acho que um homem não substitui a mãe de uma criança», defendeu.

Sobre uma eventual candidatura à Presidência da República, o candidato do MPT afirmou que, como faltam dois anos, avaliará essa hipótese «na altura própria», pois disse-se concentrado nas europeias.

O causídico esclareceu que já fora alvo de convites por outros partidos para outros postos, mas declinou sempre e rejeitou a ideia de que o MPT seja «uma espécie de barriga de aluguer» para outros voos.

A liberdade (sobretudo, de imprensa), a justiça (combate à corrupção e ao tráfico de influências) e a solidariedade (para com idosos, mulheres, crianças, imigrantes e deficientes, bem como a ecologia foram apontados como as grandes bandeiras da candidatura.