O recém-eleito presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, deputado da bancada parlamentar socialista, entende que se Vítor Gaspar ainda fosse ministro das Finanças o Orçamento do Estado 2014 «não seria tão mau».

Em entrevista à Lusa antes da tomada de posse em Sintra, que decorre na quarta-feira, Basílio Horta, independente eleito na lista do PS nas autárquicas de setembro, disse não perceber «como há um governante que aceita cortar salários» da função pública de 600 euros e «o mesmo nas pensões de sobrevivência».

«Estou certo de que se Vítor Gaspar fosse ministro das Finanças este orçamento era capaz de não ser tão mau, porque há limites para a insensibilidade», referiu.

O ainda deputado considerou que, apesar de as políticas serem praticamente as mesmas, a saída de Vítor Gaspar do Ministério das Finanças do Governo PSD/CDS-PP e a entrada de Maria Luís Albuquerque, neste verão, foram piores para o país.

«Houve uma altura em que eu disse: 'volta Gaspar, está perdoado'. As pessoas na altura não perceberam, mas está aqui, este é o terceiro orçamento de Vítor Gaspar. É a política dele inteirinha, só com uma diferença: Vítor Gaspar tinha credibilidade e autoridade externa e as pessoas que neste momento estão não têm essa credibilidade nem essa autoridade», afirmou.

O também cofundador do CDS-PP criticou ainda o líder do partido que ajudou a formar com Adelino Amaro da Costa e Freitas do Amaral, o vice-primeiro ministro Paulo Portas, por «assinar por baixo» as medidas de austeridade que constam no Orçamento do Estado (OE) para 2014.

«Quando há um vice-primeiro ministro que fazia uma linha vermelha das pensões, que era o homem, o grande paladino dos pensionistas, e assina por baixo uma decisão destas, tudo isto é mau demais para ser verdade. O CDS hoje é o PP, um partido popular, onde tenho ainda amigos, mas a verdade é que é um partido que está neste Governo, que toma estas medidas que são incompatíveis com a doutrina democrata-cristã», defendeu.