A dirigente social-democrata Teresa Leal Coelho afirmou que, se «os barões do PSD» querem retirar Pedro Passos Coelho da liderança do partido, terão de ser eleitos pelos militantes.

Teresa Leal Coelho assumiu esta posição a propósito de notícias que associam a apresentação de uma nova plataforma de debate político na área da social-democracia ao lançamento de Rui Rio para a liderança do PSD.

«Quem retira Passos Coelho da liderança do PSD são os eleitores do PSD, não são os barões do PSD», declarou a deputada e dirigente social-democrata aos jornalistas. «É muito legítimo que tenham anseios de ascender ao poder no PSD, mas para isso terão de ser eleitos», acrescentou.

A vice-presidente do PSD falava na Basílica da Estrela, em Lisboa, à margem de uma missa em memória do antigo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, do antigo ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa e das outras vítimas da queda de um avião sobre Camarate no dia 4 de dezembro de 1980.

Teresa Leal Coelho recusou, contudo, qualificar a referida plataforma como «uma traição» ao atual primeiro-ministro e presidente do PSD, considerando que a sua criação constitui «um ato de cultura democrática» e congratulando-se por haver cidadãos do PSD «disponíveis para dar um contributo».

No seu entender, «as alternativas são sempre bem-vindas» e é desejável que haja uma «viragem» e «um contributo» por parte de alguns sociais-democratas que «têm sido críticos».

A plataforma de reflexão referida pela social-democrata foi apresentada esta quarta-feira no Porto.

«Não de trata de uma plataforma de reflexão que esteja contra nada nem contra ninguém, não se trata de uma plataforma que tenha ninguém escondido por baixo da mesa, de algum modo a querer liderar ou protagonizar, trata-se de um movimento de pessoas livres», afirmou Rui Nunes, antigo presidente da Entidade Reguladora da Saúde, em conferência de imprensa.

Questionado sobre a possibilidade desta plataforma servir de rampa de lançamento para uma futura intervenção do antigo presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, na atividade política nacional, Rui Nunes disse que a plataforma, «revendo-se em personalidades» como a de Rui Rio, «não tem esse objetivo, nem no imediato nem no longo prazo».

Segundo Rui Nunes, esta «plataforma de reflexão», denominada «Uma Agenda para Portugal», é composta por «larguíssimas dezenas de pessoas, a maior parte oriundas da área que se designa da social-democracia e do socialismo democrático, a movimentarem-se em torno de determinados ideais, que são os que estão na Constituição, como a justiça social, a igualdade de oportunidades» e que «entendem que Portugal atravessa uma séria crise económica, social e também no plano dos valores».

«Temos tido o privilégio de contar com personalidades de relevo, muitas delas se pautam por princípios de manifestação de grande dedicação ao interesse publico, de verticalidade e seriedade, nos quais Rui Rio se encaixa bem», disse.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, um dos fundadores deste movimento, frisou que «esta não é uma plataforma partidária» e que «vai muito mais para além de Rui Rio».

Também presente nesta missa em memória de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa na Basílica da Estrela, Pedro Passos Coelho não quis prestar declarações aos jornalistas, que o tentaram questionar sobre esta nova plataforma.

Por sua vez, o coordenador e porta-voz da Comissão Política Nacional do PSD, Marco António Costa, relatou que falou com António Tavares e que este lhe disse que a nova plataforma de debate político pretende «ajudar o Governo de Portugal na enorme tarefa que está a desempenhar».

Marco António Costa apontou como «fundamentais» todas as plataformas e grupos de reflexão. «É motivo de grande satisfação ver que o PSD é um partido tão rico», acrescentou.