«Eu já disse, entre amigos: não sei se virou à esquerda nem se virou à direita, tenho impressão de que tem os piscas avariados. É tudo um bocado errático. De vez em quando dizem: "Agora vamos virar à esquerda." Isto não é assim», disse Helena Roseta, em entrevista ao «DN» e «TSF», quando questionada sobre se o partido tinha virado à esquerda no congresso de Espinho.

«O que vi foi uma conversa de que iriam diminuir as deduções para os ricos, mas também não sabemos muito bem o que são os ricos para o actual Governo», disse Roseta. «Até agora, o que tenho visto são os grandes benefícios dados pelo governo à banca e a grandes capitalistas. Os factos não estão de acordo com o discurso".

Para Roseta, «seria realmente uma certa reorientação do PS saber-se, nas lutas políticas, nas lutas sociais, de que lado se está. Tenho visto o PS, muitas vezes, do outro lado. Do lado da direita, com o grande apoio da direita».

Sobre o congresso do passado fim-de-semana, Roseta não perde o tom crítico. «Não vou dizer que foi uma missa, porque tenho formação católica e muito respeito pela missa como um acto ritual dos católicos. Agora, achei uma cerimónia muito virada para dentro. Se para algum sítio o PS se virou, evidentemente, foi para dentro. Num ano eleitoral, era o único sítio para onde eles não podiam virar. Teriam que virar para fora, teriam que virar para as pessoas, teriam que se identificar».