O eurodeputado e recandidato às europeias pela Coligação Democrática Unitária (CDU) acusou hoje o PS de estar «comprometido até ao tutano» com o caminho da maioria PSD/CDS-PP, sem apresentar qualquer alternativa.

«O PS nunca soube nem nunca quis, não sabe nem quer propor uma caminho diferente. Este é o caminho com o qual sempre esteve e está comprometido até ao tutano. Uma caminho no qual se procura demarcar, de forma oportunista, perante a evidência do desastre, mas sem apontar qualquer outro caminho«, disse João Ferreira, na cerimónia de apresentação da lista concorrente ao Parlamento Europeu, em Lisboa.

O cabeça de lista da CDU, que inclui PCP, «Os Verdes» e Associação Intervenção Democrática, afirmou que os socialistas estiveram com «Maastricht, Nice e Amesterdão, com o pacto de estabilidade, numa altura, é bom não esquecer, em que a grande maioria dos chefes de Governo na União Europeia eram partidos socialistas».

«O PS esteve com o defunto Tratado Constitucional e com a sua versão recauchutada, o Tratado de Lisboa. O PS esteve com o pacto para o Euro Mais, com o Semestre Europeu, a Governação Económica e o Tratado Orçamental», afirmou.

João Ferreira apontou o dedo ao secretário-geral do PS, por ter dito, «há dias, que olha para a Europa e não gosta do que vê» por se ter «afastado da obra inspirada pelos seus pais fundadores», esquecendo-se de dizer quando se deu esse afastamento, relembrando que o antigo primeiro-ministro socialista José Sócrates mandou «o referendo europeu às malvas».

«Há três anos, antes de quaisquer outros e enfrentando acusações e incompreensões, o PCP apresentou a renegociação da dívida como o único e indispensável caminho para evitar o rumo de afundamento e declínio que hoje temos confirmado», continuou.

O eurodeputado sublinhou que «PS, PSD e CDS, ao longo dos últimos três anos, rejeitaram na Assembleia da República os sucessivos projetos de resolução apresentados pelo grupo parlamentar do PCP» no sentido da reestruturação da dívida externa portuguesa.

O candidato comunista defendeu que o «futuro passa por recuperar para o país tudo o que é do país, devolver aos trabalhadores e ao povo tudo o que lhes foi roubado, aproveitar as potencialidades e recursos de Portugal e afirmar uma postura soberana, que faça prevalecer os interesses do país, dos trabalhadores e do povo sobre quaisquer constrangimentos ou pressões externas».