O secretário-geral do PCP acusou António Costa de alinhar com o Governo da maioria PSD/CDS-PP sobre a renegociação da dívida soberana portuguesa e de ambicionar «poder absoluto», criticando ainda as «lebres de corrida» a Belém.

«Não é possível deixar de registar o alinhamento do PS e do seu secretário-geral com as posições do Governo, designadamente na recusa da renegociação da dívida e da consideração de que ela é sustentável. O PCP reafirma, como tem feito desde 2011, que o desenvolvimento soberano do país reclama a sua renegociação nos montantes, prazos e juros».


Jerónimo de Sousa, que falava após a reunião do comité central comunista, condenou «desenvolvimentos que, na sequência das eleições na Grécia, traduzem um inadmissível processo de ingerência, chantagem e pressões da União Europeia a propósito das dívidas soberanas» e a «atitude de subserviência e entrega dos interesses do país à usura dos mercados financeiros que o Governo PSD/CDS-PP e o primeiro-ministro têm confirmado nos últimos dias».

Segundo Jerónimo de Sousa, vislumbram-se «manobras e operações que promovem soluções populistas baseadas no discurso anti-partidos, nos apelos a pretensas novas expressões políticas, valorizadas a partir da forma e escondendo conteúdos, manobras e operações que têm na promoção dada ao PS, após o seu último congresso, um elemento crucial».

«Mais que um reposicionamento à esquerda ou de uma qualquer genuína busca de uma convergência para romper com a política de direita, o que se vê no PS é a reafirmação da conhecida ambição de poder absoluto, desligando as políticas concretas e as propostas concretas de voto».


O secretário-geral comunista considerou terem existido «uns ensaios, uns pequenos sinais iniciais por parte do PS e de António Costa, mas a verdade é que as últimas declarações são para afirmar a demarcação, considerando não querer renegociar a dívida porque ela é sustentável».

Relativamente ao surgimento de diversos candidatos presidenciáveis, o líder do PCP adiou qualquer posicionamento sobre o tema para depois dos «objetivos prioritários» - as eleições legislativas -, ou seja, os comunistas definirão a sua posição «entre outubro e dezembro».

«Tem havido algumas movimentações. Sem desprimor para os putativos candidatos, algumas lebres de corrida, mas não é uma questão que esteja na ordem do dia», afirmou, anunciando ainda o local do encontro nacional do PCP com o tema «Não ao declínio nacional, soluções para o País» de 28 de fevereiro: Pavilhão Paz e Amizade, em Loures.