O candidato do Partido Popular Europeu (PPE) a presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, disse esta sexta-feira à Lusa que 40 anos depois da luta pela liberdade democrática, Portugal luta pela estabilidade económica.

«Há 40 anos, Portugal lutou pela liberdade democrática. Hoje, os portugueses lutam pela liberdade que provém da estabilidade democrática e pela oferta de um melhor futuro aos jovens», disse Junker, em declarações à agência Lusa a propósito das eleições europeias de 25 de maio.

«Se eu for o próximo presidente da Comissão Europeia, irei trabalhar com Portugal para que a Europa saia da crise junta, combinando a responsabilidade, a solidariedade e a experiência necessária para delinear o futuro», acrescentou.

As eleições europeias, disse ainda, têm para os portugueses e os outros europeus a ver com uma escolha: «irão os portugueses escolher continuar no caminho da irresponsabilidade que era seguido antes da crise, acumulando dívida e gastando dinheiro que não tinha em autoestradas dispendiosas ou em novos estádios de futebol que estão vazios a maior parte das vezes?»

O candidato do PPE (partido europeu onde estão integrados o PSD e o CDS-PP) à sucessão de Durão Barroso, questionou se, por outro lado, os eleitores em Portugal preferirão «uma Europa que defende a solidez e a solidariedade, contas públicas sãs e sólidas, crescimento e bons empregos que irão também beneficiar as gerações futuras».

Junker salientou ainda saber «que muitos portugueses sofreram e continuam a sofrer» por causa das reformas estruturais que o país teve de adotar, mas que os resultados começam a ver-se.

«Portugal está a retomar devagar mas com seriedade o caminho da responsabilidade e crescimento, enquanto se prepara para sair do programa (de ajustamento financeiro da troika) dentro de poucas semanas», acrescentou o ex-primeiro-ministro do Luxemburgo.

Os portugueses vão escolher os deputados ao Parlamento Europeu no dia 25 de maio e, segundo determina o Tratado de Lisboa, os chefes de Estado e de Governo dos 28 terão de ter em conta os resultados das eleições na escolha do próximo presidente do executivo europeu.

Para além de Junker, estão na corrida à sucessão de José Manuel Durão Barroso, que termina o mandato no fim de outubro, Martin Schulz, pelos Socialistas Europeus (em que se inclui o PS, Guy Verhofstadt, pelos Liberais, Alexis Tsipras, pelo Grupo da Esquerda Unitária (em que se encontram as delegações do BE e PCP), e o francês José Bové e a alemã Ska Keller, pelos Verdes.