A situação de Portugal não é «nem de perto nem de longe semelhante» à que existia durante a ditadura, mas «a obrigação» de os cidadãos «se revoltarem contra a injustiça» mantém-se, assinalou o historiador Pacheco Pereira.

Em declarações aos jornalistas, à margem da evocação dos 40 anos do III Congresso da Oposição Democrática, que hoje se realizou em Aveiro, o historiador e militante do PSD afirmou: «Hoje não vivemos, de modo nenhum, um período semelhante, mas a obrigação cívica de as pessoas se revoltarem contra a iniquidade, contra a injustiça, contra a violência, particularmente contra a violência contra os mais fracos, essa continua inteiramente nos dias de hoje».

Como um dos historiadores convidados a debater o significado do congresso de 1973, Pacheco Pereira criticou a forma como a oposição tem contado a sua história. «É importante transformar a história da oposição em História» e não deixar que ela se transforme «num instrumento político em relação à atualidade», defendeu.

«A história mítica é um dos grandes obstáculos para percebermos o presente», sustentou, durante a sua intervenção no segundo painel da sessão, recomendando que «há que assumir o que aconteceu, porque mais tarde ou mais cedo vai saber-se».

O militante social-democrata, que tem feito críticas ao atual Governo, esteve presente no congresso de 1973 e reconhece que a vivência da ditadura «não é facilmente comunicável, para quem nunca teve a experiência de conhecer um país com medo, com polícia política, com censura». Para tal, recorre a comparações com figuras de autoridade atuais, como «um árbitro de futebol».

Recordando que, no congresso de 1973, como em várias outras iniciativas da oposição, agentes da autoridade cortavam a palavra aos oradores quando, por exemplo, ousavam falar da guerra colonial, Pacheco Pereira vincou: «Eu não quero, nem ninguém quer, um país em que a polícia impeça o direito de manifestação, de reunião».