O socialista Manuel Alegre defendeu, na quinta-feira, que o Papa Francisco é o «único» líder mundial «a dizer aquilo que deve ser dito» e acusou o Governo de querer «rever» a Constituição portuguesa através da legislação.

Em Braga, Alegre acusou ainda o presidente da República de «compactuar» com a tentativa do Governo de Passos Coelho de mudar a Constituição.

O histórico socialista afirmou ainda não lhe agradar a estátua do Cónego Melo, erguida recentemente numa das principais rotundas da cidade, sugerindo que o próximo executivo bracarense homenageie «um grande cidadão» de Braga e um «grande português», Francisco Salgado Zenha.

«A esquerda tem que fazer uma autocrítica sobre o que está acontecer na Europa. É por isso que considero que o único líder que está a dizer aquilo que deve ser dito é o Papa Francisco», afirmou Manuel Alegre.

Confrontado com o chumbo do Tribunal Constitucional, conhecido na quinta-feira, a algumas das alterações ao Código do Trabalho propostas por Passos Coelho, Manuel Alegre acusou o Governo de usar a legislação para fazer aquilo para o qual não obteve maioria no Parlamento.

«Este Governo quis fazer uma revisão da Constituição e não conseguiu. Como não pode tenta fazer agora através da legislação», disse, apontando ainda o dedo a Cavaco Silva.

«O Governo faz isso e com complacência do Presidente da República», salientou.