Pedro Passos Coelho admitiu que a festa do Pontal não podia ter calhado numa «circunstância mais feliz», uma vez que esta semana foi anunciado um crescimento de 1,1%. No entanto, e apesar de convencido que o Governo está «no rumo certo», avisou: «Ninguém tome por adquirido que a crise acabou».

Segundo o primeiro-ministro e presidente do PSD, Portugal ainda corre «riscos significativos». Ainda assim, ficou o desejo: «Mais dificuldades do que aquelas que já tivemos, com certeza que não iremos ter. Nunca estivemos tão próximos de chegar ao nosso objetivo».

Passos Coelho garantiu que não há um «risco político» dentro do Governo, mas avisou os seus ministros que têm de continuar a cortar. «Se a nossa execução orçamental não estiver à altura dos objetivos fixados, o risco é demasiado elevado e fará com que não seja irreversível o caminho que tomámos até hoje. O Governo tem de estar muito comprometido em garantir que este ano, em 2014 e em 2015 os objetivos de redução de despesa são mesmo para cumprir», disse, enquanto era assobiado pelos manifestantes.

Sem especificar as medidas a ser tomadas, o líder social-democrata admite que estas «não estão isentas de riscos constitucionais». Num recado explícito para o Tribunal Constitucional, que acusou de obrigar o Governo a aumentar os impostos, Passos Coelho afirmou que, se as novas medidas forem travadas, «alguns resultados conseguidos até hoje poderão estar em causa» e poderemos «andar para trás». «Qualquer decisão constitucional não afetará simplesmente o Governo, afetará o país», resumiu.

Para o primeiro-ministro, é necessário «um esforço coletivo para evitar estes riscos» e daí o apelo à manutenção da «coesão social» e à «união» de «todos os partidos» além da «estratégia partidária». «Deixemos para a altura própria, que são as eleições, as nossas escolhas e os nossos julgamentos», disse.

Autárquicas são para ganhar

O presidente do PSD revelou que encara as eleições autárquicas «com muita confiança», mas assegurou que «nenhuma instabilidade governativa resultará» deste escrutínio, numa eventual derrota. «Nenhuma consequência política nacional advirá dos resultados», reforçou.

Passos Coelho afirmou que «ganhar as eleições autárquicas é a fasquia» do PSD. No entanto, voltou a frisar, talvez para Paulo Portas ouvir: «Qualquer que seja o resultado, não haverá estados de alma dentro do Governo».