O primeiro-ministro considerou hoje que a decisão da Irlanda de regressar autonomamente aos mercados deve servir de inspiração e que não há razão para Portugal não desejar o mesmo, mas para isso tem de cumprir os seus compromissos.

«Não há razão para nós não podermos desejar o mesmo. Sendo que, para isso, temos evidentemente de cumprir, como a Irlanda cumpriu as suas metas, os seus objetivos, com um amplo consenso nacional e uma grande mobilização de vontades. Tenho a certeza que é isto que os portugueses merecem, e estou confiante que o sentido de responsabilidade de todos o vai permitir também para Portugal», declarou Pedro Passos Coelho.

O chefe do executivo PSD/CDS-PP assumiu esta posição no final de uma intervenção que fez durante uma visita a instalações da Santa Casa da Misericórdia da Aldeia da Galega da Merceana, no concelho de Alenquer.

A seguir, interrogado pelos jornalistas sobre a ideia defendida pelo PS de que o Governo não tem legitimidade para negociar um programa cautelar, Passos Coelho respondeu: «Nós não estamos ainda na fase de poder discutir como é que fechamos o nosso programa e, portanto, não vou antecipar aquilo que vai acontecer daqui a seis meses».

Insistindo na importância de Portugal cumprir os seus compromissos, o primeiro-ministro afirmou: «Seria bom que todos aqueles que querem que a gente chegue ao fim da assistência económica e financeira com sucesso fossem coerentes com o objetivo que proclamam e, nesse caso, dissessem que apoiam as decisões que temos de tomar para chegar a esse resultado».

Passos Coelho recusou falar de «cenários» sobre a «transição para financiamento pleno em mercado» de Portugal.

«Agora, o que posso dizer é isto: se existir consenso e mobilização suficiente em torno desse objetivo, se isso é realmente considerado por todos importante, e eu acho que é, então devemos posicionar-nos para tomar todas as decisões que são necessárias para que esse resultado seja atingido», acrescentou.

O primeiro-ministro referiu que «a Irlanda cumpriu uma série de decisões difíceis que envolveram reduções salariais importantes, reduções nas pensões, redução do número de efetivos do Estado, saneamento financeiro».

Segundo Passos Coelho, é preciso «ver o que é que a Irlanda fez para chegar lá» e, «infelizmente, em Portugal há muitos setores políticos que querem os mesmos resultados sem os mesmos meios e sem as mesmas decisões».

Quanto à diferença entre os juros da dívida pública da Irlanda e de Portugal, manifestou a convicção de que, se as medidas do Orçamento do Estado para 2014 forem executadas como previsto, «as taxas de juro evoluirão favoravelmente de uma forma muito mais rápida».

Questionado se assumirá alguma quota de responsabilidade caso Portugal não saia do atual programa de resgate sem um programa cautelar, respondeu: «Eu assumo sempre todas as minhas responsabilidades, porque nunca fugi às minhas responsabilidades».

Antes, no seu discurso, o chefe do executivo PSD/CDS-PP disse que a Irlanda agradeceu o apoio externo e anunciou que já iria precisar mais desse apoio. No seu entender, «isso é um motivo de satisfação» e «deve ser um motivo de inspiração».

«Ainda temos quase seis meses para chegar aonde a Irlanda chegou agora. Devemos, portanto, pôr os olhos, de certa maneira, naquilo que foi o desenvolvimento político, económico e social que ocorreu nesse país da União Europeia para podermos, para nós próprios, almejar o mesmo», considerou.

Em declarações aos jornalistas, Passos Coelho apontou a decisão da Irlanda como «importante para a União Europeia e para a zona euro», por ser «o primeiro país a sair da assistência económica e financeira com sucesso», reiterando que isso só pode «mobilizar e inspirar» Portugal.