O secretário-geral do PCP afirmou, este sábado, que o Governo se prepara, com a cumplicidade do PS, para continuar com a política de empobrecimento do país.

«A verdade irrefutável é que o Governo se prepara, com a cumplicidade do PS, para prosseguir e perpetuar a mesma política de empobrecimento que tem sido seguida até hoje e que impede o desenvolvimento soberano do país», disse Jerónimo de Sousa, ao abordar o défice orçamental, no encerramento da IX Assembleia da Organização Regional de Leiria do PCP, na Marinha Grande.

Para Jerónimo de Sousa, foi o próprio Banco de Portugal a confirmá-lo.

«Veio dizer que, até 2019, para cumprir os objetivos do pacto orçamental e consolidar a dívida seriam necessárias novas medidas de austeridade de quase sete mil milhões de euros», sustentou o dirigente comunista, considerando que é este o «preço a pagar nos próximos cinco anos pelos compromissos assumidos pelos partidos da troika».

Segundo Jerónimo de Sousa, «a manter-se este Governo e esta política», é isso que esperam os portugueses.

«Aliás, é ver que medidas o Governo está a tomar e contra quem são dirigidas para se ver que o massacre contra o povo vai continuar», alertou, acusando o Governo de não ter outra política que «não a dos cortes nos salários, dos aumentos dos impostos de quem trabalha, da desvalorização do valor das reformas».

Agora, referiu, acresce a transformação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade «num imposto permanente».

Referindo que «meteram o país numa situação dramática com o pacto de agressão, sempre em nome do défice, sempre em nome da dívida», o secretário-geral do PCP salientou que «nem um, nem outra conhece melhoras, com a dívida a elevar-se para níveis cada vez mais preocupantes».

«Vêm com o argumento da baixa do desemprego, mas a saírem do país 350 portugueses por dia, como está a acontecer, até podem chegar à taxa zero de desemprego, mas o país vazio de gente capaz de produzir», ironizou, classificando a «saída limpa» como «a maior mentira das mentiras deste Governo».

O défice orçamental das Administrações Públicas atingiu os 6% no primeiro trimestre do ano, abaixo dos 10% registados no período homólogo, mas acima da meta de 4% fixada para 2014, informou na sexta-feira Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com as Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional, divulgadas pelo INE, o défice das Administrações Públicas foi de 2.389,4 milhões de euros entre janeiro e março de 2014 (6% do Produto Interno Bruto), depois de ter ascendido a 10% do PIB no mesmo trimestre de 2013.

A meta do défice com que Portugal se comprometeu perante a troika para este ano é de 4% do PIB.