O presidente do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, afirmou que no próximo ano a luta da autonomia vai ser «reacendida».

«Eu não sou separatista, mas também já não estou para aturar este sistema político que não nos dá a capacidade de termos um sistema fiscal próprio, que não nos dá mais capacidade legislativa, que não nos dá o direito de termos um sistema de justiça próprio. Acabou, vamos lutar contra isto, chamem-nos os nomes que quiserem, mas a luta da autonomia vai ser reacendida agora neste ano de 2014», disse Alberto João Jardim no tradicional jantar de Natal do PSD/M.

Antes, o líder social-democrata considerou que a Madeira anda a ser tratada de forma «inadmissível».

«Fomos tratados como um território separado. A dívida da Madeira foi para recuperarmos do dinheiro que durante cinco séculos e meio nos roubaram. Está provado que dois terços daquilo que a Madeira produziu foi sonegado por Lisboa e quando nos endividámos para poder voltarmos ao direito que tínhamos de sermos portugueses como os outros, o tratamento de Lisboa foi os madeirenses que paguem a sua própria dívida, a dívida da Madeira não é dívida portuguesa», declarou.

Perante centenas de pessoas, o dirigente reafirmou que os deputados do PSD eleitos pela Madeira vão apresentar um projeto de revisão constitucional e garantiu: «Se em 2014 esperam um PSD calmo, se esperam um PSD brando, estão muito enganados».

Jardim lembrou aos presentes que 2014 será igualmente «muito importante» para o PSD/M com a eleição do seu sucessor.

«É preciso muito cuidado, trata-se de um momento que os nossos adversários estão à espera para ver se rebentam connosco», avisou, sustentando que aqueles adversários «não estão dentro do partido», no qual «poderá haver pessoas com ideias diferentes» que vão ser respeitadas.

«Mas não vamos perder tempo a andar em bulhas, em guerras, o grupo deste contra o grupo daquele. Isso eu não consentirei», garantiu, desafiando os militantes do PSD/M a não «perder tempo a brincar aos grupinhos dentro do partido».

Solicitando que «entendam isto como um pedido», Alberto João Jardim acrescentou: «Nós não nos vamos dividir. Vamos, cada um em consciência, escolher aquilo que entendermos escolher, mas a luta essa vai ser por uma maior autonomia, porque eu não aceito que a Madeira seja uma colónia de Lisboa».

À sucessão do presidente do PSD/Madeira já se assumiram como candidatos o ex-presidente da Câmara do Funchal e candidato derrotado nas últimas eleições internas, Miguel Albuquerque, o antigo eurodeputado Sérgio Marques e o atual secretário regional do Ambiente, Manuel António Correia.

No discurso, ao qual assistiu o secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, o líder do PSD/M reiterou a necessidade de mudar a política nacional que designou de «errada».

«Eu não faria esta política, uma política social-democrata põe a pessoa humana em primeiro plano e lugar e não se regenera um país dando cabo da sua economia, não se regenera um país tendo receio de mudar o regime político e preferindo, antes, cair em cima dos salários, das pensões e das reformas das pessoas», criticou.